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COLUNISTAS

Crise climática na mente

10/03/2026 21h53 | Atualizada em 10/03/2026 21h53 | Por: Marcos Madeira

Você já sentiu aperto no peito ao ver o céu escurecer de fumaça ou ao ler sobre mais uma enchente devastadora? Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinho. O que antes era tema apenas de jornais de ecologia, agora é pauta urgente nos consultórios de psicologia. Estamos vivendo a era da “eco ansiedade”.

Não precisamos ir longe para entender o peso disso. Para nós, brasileiros, a tragédia climática em Minas Gerais é uma ferida aberta. Ver cidades históricas e comunidades inteiras reféns da força das águas ou do rastro de lama não gera apenas prejuízo material; gera trauma coletivo. 
Quando o ambiente que chamamos de “lar” se torna ameaça, nossa base de segurança psicológica desmorona.

A eco ansiedade não é uma doença, mas uma resposta emocional legítima a uma ameaça real. Como define a psicóloga americana Sarah Lowe, “a ansiedade climática não é um distúrbio, é uma reação racional a um mundo em crise”. O problema é quando esse medo vira paralisia. Em Minas, o luto pelas perdas e o medo do próximo evento climático criam um estado de alerta constante, um estresse pós-traumático que se renova a cada chuva forte.

O psicólogo britânico e pioneiro na eco psicologia Robert Clive sugere que o segredo não é ignorar o medo, mas integrá-lo. “Precisamos transformar o desespero passivo em esperança ativa”, diz ele. Isso significa aceitar que o mundo mudou, mas também entender que nossa saúde mental depende da nossa capacidade de agir, mesmo que em pequena escala.

Então fica a dica: valide seu sentimento. Se você sente medo pelo futuro do planeta ou tristeza pelas tragédias climáticas, isso mostra que você ainda está conectado com a vida. A negação é o pior caminho. Vá ao encontro da comunidade, converse sobre esses medos, participe de redes de apoio, busque informações oficiais e preserve hábitos sustentáveis. 

Essas dicas ajudam a retomar o senso de controle. Cuidar da mente agora exige olhar para fora da janela. Afinal, não existe bem-estar individual em um planeta que pede socorro! Que tal começar transformando esse aperto no peito em um primeiro passo de cuidado com você e com o que está ao seu redor?

“Não podemos ser saudáveis em um planeta doente.” - James Hillman

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