Você já teve aquela sensação de “check-list completo”? Emprego, boletos pagos, Wi-Fi rápido, e, mesmo assim, um vazio no peito? Pois é, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, quando escreveu “O Mal-Estar na Civilização”, já dava o spoiler. A gente troca nossa liberdade selvagem pela segurança de viver em sociedade. O problema é que essa troca gera um “imposto emocional” caro: a repressão dos nossos desejos em nome da ordem.
No dia a dia, isso aparece no cansaço de fingir que está tudo bem, mas nos ‘stories’ a ansiedade aperta. É o que o filósofo Byung-Chul Han chama de “Sociedade do Cansaço”. Sabe aquela pressão de ser produtivo 24 horas por dia? Pois é, viramos nossos próprios feitores. O psicólogo Viktor Frankl dizia que a busca desenfreada pelo prazer gera frustração. Ele estava descrevendo exatamente esse ciclo, em que a gente compra, posta e consome, mas o sentido da vida continua escapando entre os dedos.
O quadro piora quando olhamos para o lado. O “mal-estar” moderno nos deixou impacientes. A gente não ouve mais para entender, mas para responder. É a falta de interpretação de texto (e de contexto) que vemos nos comentários de portais de notícias. Autoridades tomam decisões como se fôssemos números, ignorando que, na ponta final, existe uma mãe preocupada ou um trabalhador exausto. Essa falta de empatia gera o que Zygmunt Bauman chamava de “relações líquidas”: conexões frágeis que se quebram no primeiro desacordo.
Nesse vácuo de compreensão, o extremismo (em todos os sentidos) vira o “canto da sereia”. É muito mais fácil culpar um grupo específico ou aceitar respostas prontas do que lidar com a complexidade do mundo. O ódio vira um atalho para quem está desesperado. O alerta vem do filósofo e psicanalista Erich Fromm, que diz o seguinte: “o medo da incerteza nos faz querer fugir da liberdade e abraçar figuras autoritárias que prometem ordem, mas entregam divisão”.
Mas calma, nem tudo está perdido. Reconhecer esse mal-estar é o primeiro passo para minimizar as mazelas da sociedade. Freud reforça que o foco é a “redução do sofrimento”. Talvez a saída seja desacelerar. Menos julgamento no teclado e mais olho no olho. Menos perfeição estética e mais verdade. No fim das contas, a gente não precisa de respostas simplistas, mas de coragem para ser humano em um mundo que insiste em nos transformar em máquinas sem coração e empatia.
Que as regras nos tragam ordem, mas que nunca nos roubem a liberdade de sentir. Afinal, a vida acontece no equilíbrio entre o que o mundo exige e o que a nossa alma precisa.

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