Recentemente dados do IBGE e de órgãos de saúde acenderam um alerta vermelho: a tristeza persistente e a ansiedade entre crianças e adolescentes no Brasil atingiram níveis recordes em 2026. Não se trata apenas de uma “fase” ou “rebeldia”, mas de um fenômeno profundo que exige um olhar urgente de toda a sociedade. Mas, afinal, de quem é a responsabilidade?
A resposta é complexa, pois vivemos em uma rede de influências. No centro da discussão, está o excesso de telas. O mundo digital, que deveria conectar, tem isolado. A comparação constante com vidas irreais no Instagram e a dependência de algoritmos estão moldando cérebros ainda em formação, gerando uma busca incessante por aprovação que nunca se satisfaz.
Nesse cenário, a responsabilidade dos pais e responsáveis é a de serem “âncoras”. Mais do que proibir o celular, é preciso oferecer presença real. O acolhimento emocional dentro de casa é o primeiro filtro contra a depressão. Ouvir sem julgar e validar os sentimentos dos jovens são passos fundamentais.
Por outro lado, o Estado tem o dever de tratar a saúde mental como prioridade de saúde pública. Isso passa diretamente pela mudança no ambiente escolar. A escola não pode mais ser apenas um depósito de conteúdos acadêmicos e fórmulas, ela precisa se transformar em um espaço de segurança emocional.
O foco na saúde mental deve estar no currículo, com psicólogos presentes e professores capacitados para identificar sinais de isolamento ou automutilação antes que o quadro se agrave. É bom deixar claro que não adianta procurar culpados, temos que ir em busca de soluções. A tristeza da juventude é sintoma de uma sociedade exausta. Se as crianças estão tristes, é porque o ambiente que construímos para elas está adoecendo.
O Estado deve garantir políticas públicas e suporte, a escola deve acolher a subjetividade, e a família deve ser o porto seguro. Cuidar da mente dos nossos jovens não é um luxo, é uma urgência. Precisamos desconectar um pouco das redes para reconectar com quem está ao nosso lado. Afinal, uma infância sem cor gera um futuro sem brilho.
“O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas, e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram. E isso começa pelo cuidado com o sentir.” (Jean Piaget)

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