Levantei há alguns meses uma denúncia de superfaturamento na reforma de um caminhão-pipa pela prefeitura de Gravatal. Além do valor absurdo, cerca de R$ 200 mil na manutenção de um caminhão que, segundo a FIPE, vale R$ 140 mil, uma série de irregularidades ocorreu na operação. Os vereadores se omitiram, se calaram, fingiram que o assunto não era com eles (salvo uma ou outra exceção). Na verdade era de se esperar tal falta de posicionamento diante do espaço que os nobres edis têm no “governo”. O chefe do Executivo gravatalense publicou vídeo dizendo que havia instaurado sindicância para apurar os fatos e que sua gestão era pautada pela transparência. À época falei que esses processos administrativos serviam só pro assunto cair no esquecimento e esfriar os ânimos da população. Pois dito e feito. Até hoje ninguém sabe do resultado de tal investigação, pois sabemos que a ideia era manter a “sujeira debaixo do tapete” e não dar luz aos fatos. De transparente em Gravatal, só as deliciosas águas termais. Os políticos são exatamente o oposto disso. Ah, dias atrás, indo a Braço do Norte, passei pela mecânica e vi o tal caminhão encostado. Será que torraram mais uns trocados no veículo?
UTIs catarinenses na UTI
O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina apontou diversas irregularidades na regulação das Unidades de Terapia Intensiva no Estado. Dados apontam que, em três meses de 2024, o serviço que deveria operar 24 horas por dia ficou quase 1.300 horas sem médico regulador - cerca de 14% a mais que auditoria anterior. Das 4.557 internações analisadas, um terço ultrapassou o prazo crítico de seis horas. Segundo o TCE, isso impactou no aumento em 16% do índice de mortalidade. O Ministério Público de Contas recomendou uma multa ao secretário estadual de saúde, Diogo Demarchi, por descumprir as recomendações do tribunal. O relatório foi encaminhado à procuradora-geral de SC, Vanessa Cavalazzi, para avaliação e responsabilização do crítico quadro. A ver até onde Alesc, Ministério Público de Santa Catarina e os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado serão omissos a essa grave crise.
Show de horrores na direita
A direita segue na linha “juvenil” e se esbofeteia publicamente em todo o Brasil. Na esfera nacional, os filhos de Bolsonaro desautorizaram (ou vice-versa) a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro em acordo político no Ceará. Aqui em SC, o deputado estadual Jessé Lopes (PL) segue com sua metralhadora giratória contra o delegado-geral da Polícia Civil, Ulysses Gabriel, que também dá suas alfinetadas. Tudo o que a esquerda quer, afinal, não precisa entrar na guerra, já que aqueles que estão no mesmo lado ficam se digladiando. Malandros.
Lula em queda
A administração de governo do presidente Lula (PT) é considerada ruim por 48,6% dos brasileiros. É o que mostra o levantamento feito pela Atlas/Bloomberg, divulgado nesta terça-feira. Os que acham a administração do petista boa somam 44,4% — queda de 3,6 pontos percentuais. O impacto ruim teve aumento de 1,4 ponto percentual em relação à última pesquisa, realizada em outubro. Para 7% dos eleitores, a gestão de Lula (PT) é regular. Antes eram 4,8% na somatória. Foram ouvidas 5.510 pessoas entre os dias 22 e 27 de novembro. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos.
O prefeito de Tubarão, Estêner Soratto (PL), voltou da Europa no “220”, como se diz na gíria. Na primeira reunião de secretariado, pós-viagem, pagou geral, em especial àqueles que não atendiam a contento os vereadores. Os nobres edis da base aliada usavam isso de muleta pra não defender o governo nas sessões da Câmara como deveriam. Caras de pau diante do espaço gigantesco que todos têm na administração municipal, mas o efeito foi instantâneo. Já na primeira sessão, no mesmo dia, depois do “esporro” nos secretários, quase todos utilizaram a tribuna para defender, elogiar, enaltecer a gestão. Depois disso, Soratto fez um vídeo duro sobre o lixo, deixando entender que uma “máfia” atuava no setor, em Tubarão. A declaração provocou a ira do vereador e ex-prefeito interino Gelson Bento (Progressistas), que, em outras palavras, mas com dedo em riste, disse que o município está pagando mais caro atualmente do que quando operava com a antiga concessionária. Digamos que é um Soratto “mais Bolsonaro” e “menos PSDB”. Vai continuar assim? Tomara.
Os ingratos
A ingratidão é um privilégio dos fracos e covardes. É bíblico. Daqueles que se elegeram com a bandeira da direita, a bandeira do 22, na Amurel, poucos usaram as redes sociais para prestar apoio ao ex-presidente Bolsonaro, que teve a prisão preventiva decretada no último sábado. Não que isso fosse mudar o estado de exceção que estamos vivendo, mas é bom saber em que lado os políticos da região estão. Os prefeitos Soratto (tô falando que ele voltou “on fire”) e Lauro Boeing (MDB), de Tubarão e BN respectivamente; o vice-prefeito de Armazém, Penacho (PL); a presidente da Câmara de BN, Pamelys Barros (PL), e um ou outro vereador. Nada contra, cada um tem o posicionamento político que bem entende. Só pra deixar registrado mesmo, e a população lembrar nas próximas eleições.
Pesquisa Futura em SC
Uma nova pesquisa eleitoral foi divulgada, pelo Instituto Futura, para a corrida eleitoral em SC. Para o governo do Estado, nenhuma surpresa. O atual governador, Jorginho Mello (PL), nada de braçada e fica com mais de 10% a mais da soma dos outros candidatos. No Cenário 1, Jorginho Mello tem 47,2%; João Rodrigues (PSD), 14,2%; Décio Lima (PT), 11,9%; Adriano Silva (Novo), 6,6% e os outros candidatos com pouco mais de 1% cada. No Cenário sem o prefeito de Joinville, o chefe do Executivo catarinense aumenta ainda mais a vantagem. Pro Senado, uma surpresa. Esperidião Amin lidera com 47%, seguido de Carlos Bolsonaro, 34% e Carol De Toni, 33%. O petista Décio Lima faz 20% em todos os cenários. A pesquisa Futura/Apex entrevistou 844 eleitores catarinenses com 16 anos ou mais entre os dias 14 e 19 de novembro de 2025, apresentando margem de erro de 3,4 pontos percentuais (p.p.), com índice de confiança de 95%.
Negoção
Acusado na CPMI do INSS de inspirar o esquema que roubou inativos a fim de substituir a fabulosa “contribuição” obrigatória, o sindicalismo brasileiro virou negócio rentável e proliferou como chuchu na serra: eram 17 mil e caiu para 15 mil, incluindo federações e confederações, após a Reforma Trabalhista. Na China, 1,4 bilhão de habitantes, são 1.713. Nos EUA, berço do capitalismo selvagem, 7 mil, segundo o Bureau of Labor Statistics. Na Alemanha, de sindicalismo forte, não passam de 100. Você sabe quem paga essa mamata né!? Os dados são do Diário do Poder.
Em entrevista ao jornalista Upiara Boschi, o deputado federal e presidente do União Brasil, Fabio Schiochet, deixou claro que a prioridade número um da sigla é a reeleição do senador Esperidião Amin, independente da coligação. “Onde não há espaço para o senador Amin, não há espaço para o União Progressista. Tanto o governador Jorginho Mello (PL), quanto o prefeito João Rodrigues (PSD), se acham que podem embarrigar o partido e chegar na hora dar um cavalinho de pau, isso não vai existir. A condicionante principal é a reeleição do senador Amin”, destacou Schiochet. Lembrando que a federação é a segunda maior bancada na Alesc e também garante a governabilidade do governo Jorginho Mello. Ainda assim, líderes do PL, sem ter maioria no parlamento, defendem chapa pura.
Fator Adriano Silva
Em pesquisa publicada na última semana, o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), apareceu com 8,7% das intenções de voto. Político da nova geração, empresário e um dos mais bem avaliados chefes de Executivos municipais de SC, o liberal pode atrapalhar a vitória em primeiro turno do governador Jorginho Mello. Não só isso. Imagine um cenário hipotético em que a deputada federal Carol De Toni migre para o Novo, com seus mais de 45% para o Senado de SC, em uma coligação mais enxuta, que enalteça a eficiência na administração joinvillense com as bandeiras conservadoras da parlamentar. Enfim, são variáveis que podem tirar o sono do governador. É bom que se diga, Adriano se mostrou muito alinhado com Jorginho. A ver se esse alinhamento continua depois destes bons números apresentados.
SC é diferente
Nesta semana, um gráfico com os percentuais da população beneficiada com o Bolsa Família, em cada Estado do Brasil, chamou a atenção. Enquanto a média nacional está em 18%, em SC apenas 4,4% adere ao programa. A economia pujante e a gigante oferta de empregos são os fatores para os números tão expressivos e positivos em Santa Catarina. Coincidentemente (ou não), os Estados com maior número de beneficiários (proporcionalmente) são aqueles governados pela esquerda. Ah, lembrando que nestes casos, essas mesmas unidades de federação têm os piores índices na segurança pública. Pra ficar só nessas duas frentes.
Republicanos
Mesmo contrário aos posicionamentos políticos/ideológicos do deputado federal Jorge Goetten, é necessário destacar o trabalho que vem realizando à frente do Republicanos/SC. Acho muito difícil sua reeleição, mas certamente esses movimentos de base com filiações de prefeitos, vices, vereadores e até da deputada Geovania de Sá mostra que em Santa Catarina a sigla vai aumentar a representatividade. Para a Alesc tem a reeleição de Sergio Motta bem encaminhada. Certamente fará uma segunda cadeira (e quem sabe terceira) com votações mais baixas, e, nessa toada, aparece o nome do reitor da Fucap, Expedito Michels. O capivariense tem respeito da comunidade com muitos serviços prestados. Basta canalizar isso em uma boa estratégia de marketing, já que a região litorânea está órfã, e só Pepê Collaço (União Progressista) deverá conseguir a eleição. É difícil? Sim, mas penso que o Republicanos elege uma cadeira com algo em torno de 20 mil votos. É impossível dentro de um universo de 300 mil eleitores? Não. A ver.
O governador Jorginho Mello (PL) tem conduzido o partido com uma tranquilidade irritante. E ele está certo. Enquanto a direita se digladia em público, o governador afaga todos os envolvidos. No Rota 22, neste final de semana, no Vale do Itajaí, colocou a deputada estadual Ana Campagnolo no “andor”. Enalteceu a parlamentar e o seu histórico político. Já havia feito isso com o vereador carioca Carlos Bolsonaro, quando confirmou sua pré-candidatura ao Senado por SC. O mesmo aconteceu com a deputada federal Carol De Toni. O chefe do Executivo catarinense não entra em dividida e já falou mais de uma vez que “anteciparam demais as eleições no Estado”, nas investidas do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). Uma forma fácil de tirar o foco das polêmicas. Não à toa nunca perdeu uma eleição.
Paulinha contra o sul
O prefeito de Laguna, Preto Crippa, teceu críticas contra a deputada estadual Paulinha (Podemos) por tentar levar o curso de medicina da Udesc para Balneário Camboriú. A vinda do curso não seria bom só para Laguna, seria bom para todo o sul. Está na hora de a bancada do sul também entrar no jogo. Com o presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD), e o presidente da CCJ, Pepê Collaço (União Progressista), ambos da região, perder essa queda de braço seria vergonhoso. É uma “briga” apolítica. Todos deveriam levantar essa bandeira. A propósito, a ex-prefeita de Bombinhas está fazendo o papel dela e defendendo os interesses da sua base eleitoral.
O fim do PSDB
O partido que já presidiu o Brasil está a poucas eleições do seu fim. Caciques como Aécio Neves, desconectados com a realidade, têm aparecido em peças publicitárias se colocando contra os extremos. Sim, eram “antipetistas” e hoje são moderados, com uma leve caída pra canhota. O PSDB perdeu o timing, não se reinventou, achou que o tempo de TV - na era das mídias digitais – o salvaria, se aliou à esquerda em várias federações e definhou. Elegeu três governadores em 2022, e todos já foram para outras siglas. Em SC, ficou apenas o deputado estadual Marcos Vieira, que, convenhamos, não é um símbolo de renovação e linguagem contemporânea. É mais uma espécie de tucano na lista de extinções no Brasil. Os ninhos estão cada vez mais vazios.
País da impunidade
As suspeitas de crimes em contratos de R$ 120 milhões em verbas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) levou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) a bloquear R$ 4,5 milhões em bens e ativos dos investigados. A Operação Lamaçal, deflagrada nesta terça-feira, dia 11, investiga crimes contra a administração pública e lavagem de capitais com recursos federais enviados para socorrer vítimas da catástrofe das enchentes de maio de 2024, no Rio Grande do Sul. Mensalão, Lava Jato, bandalheira nas compras de respiradores na pandemia e, agora, essas investigações de roubo na maior tragédia climática da história. Sem fazer muito esforço, somente nesses escândalos mais midiáticos, sabe o que eles têm em comum? Nenhum político vagabundo preso. Vale muito a pena ser político picareta no Brasil.
A polêmica da semana em SC foi a declaração da deputada estadual Ana Campgnolo (PL), que simplesmente relatou uma situação verídica. Pra corroborar com a parlamentar, vou tentar fazer uma cronologia dos fatos. Em 2022, o PL elegeu o governador Jorginho Mello e 11 deputados estaduais. A Alesc tem 40 cadeiras. Pra ter a governabilidade, Jorginho convidou MDB e PP para compor o governo. De lá pra cá, o espaço aos emedebistas aumentou, foi efetivada a federação União Progressista, houve um acordo nacional em que o ex-presidente Bolsonaro indicaria um dos dois nomes do Senado (por óbvio, em SC também) e o desenho da aliança para 2026 estava desenhado. O que ninguém esperava é que Jair indicaria Carlos Bolsonaro. Pela coligação arquitetada pelo governador de SC, Campagnolo falou o óbvio: a deputada federal Carol De Toni, que era o nome do PL até então, não concorreria o Senado pela coligação, pelos acordos firmados por Jorginho Mello. Isso tudo é informação, não é opinião. A candidatura de Carlos Bolsonaro é legítima, o que não pode é ele quebrar a autoridade do governador, como tem feito, dizendo que o partido terá as duas vagas ao Senado, implodindo acordos políticos feitos desde 2022. Gostem ou não, a maior liderança do PL em SC chama-se Jorginho Mello, e o 03 deveria ao menos ter essa consideração e respeito.
Lixo em Tubarão
Sem dúvidas o maior desafio do Governo Soratto/Matiola. São pilhas e pilhas de lixo em vários bairros. Os contratos emergenciais foram firmados com empresas ‘meias-bocas’, que não conhecem as entranhas de Tubarão e vão levar muito tempo pra se adequar. A população quer uma solução imediata, com razão, afinal, paga-se caríssimo pelo serviço. Como em qualquer outro serviço não realizado, seria de bom-tom órgãos de fiscalização entrarem na jogada. Ué, quando um serviço de telefonia não está funcionando, o cliente vai ao Procon e medidas são tomadas, inclusive com desconto dos dias em que o contrato não foi obedecido, por que com a prefeitura de Tubarão é diferente? Se o prefeito fosse o Jairo Cascaes, teria vereador explodindo vídeos nas redes sociais. Aliás, a Câmara de Vereadores de Tubarão já custou quase R$ 10 milhões só em 2025, pra quê? E mais: tem cerca de R$ 5 milhões em caixa. Dinheiro jogado fora. Se tivessem senso coletivo, devolveriam a grana para o Executivo para que fosse descontada a taxa do lixo da população. Mas nem pra isso serve. População tá certíssima em cobrar forte e precisa cobrar mais os nobres edis.
Globo com a boca na orelha
O Governo Lula aumentou em R$ 116 milhões a verba disponível para publicidade, ultrapassando os R$ 875 milhões. Economia em baixa, taxa de juros nas alturas e o presidente gastando como se não houvesse amanhã. O Ministério da Educação ainda não tem grana para compra de materiais didáticos, a Polícia Federal não tem R$ 97 milhões para emissão de passaportes, mas o governo pode entupir os grandes veículos de comunicação de propaganda. Só a Globo recebeu em 2023 e 2024 cerca de R$ 177 milhões. Só em INSS a emissora deve R$ 138 milhões ao governo federal. Somos muito trouxas.
Só rindo
Tubarão se destacou nacionalmente ao ocupar a terceira posição no ranking das cidades mais seguras do Brasil em 2025, segundo o “Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil”. Segundo especialistas de segurança pública de esquerda, esse índice só foi possível graças à Pedreira Falchetti, que municia fortemente as forças de segurança com muitas pedras para atacar bandidos armados e, por consequência, diminui a criminalidade.

Política
Nunca ‘café com leite’, sempre contundente. Esta é receita imbatível de Niltinho Veronesi para a sua coluna política, que destrincha os bastidores e traz ao público informações exclusivas, sempre com sua opinião firme e irreverente