Apoiadores se ajoelharam, rezam e choram em Brasília. Bolsonaro é o primeiro presidente do Brasil a não conseguir se reeleger
Mesmo antes do fim da apuração que deu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bolsonaristas se ajoelhavam, faziam orações e choravam na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Após o resultado oficial, organizadores tentavam convocar pelo microfone que as pessoas ficassem no local até o pronunciamento de Bolsonaro.
"Não desamparem esse país, meu Deus", bradava um dos oradores de cima do caminhão. Mas o clima entre os apoiadores de verde e amarelo passou a ser de desânimo e incredulidade, com olhos fixos nos celulares após a virada de Lula, por volta das 18h50.
Às 19h20, algumas pessoas já começavam a ir embora, apesar de alguns lapsos de otimismo por parte dos animadores com uma possível virada, que não ocorreu. Uma das pessoas no caminhão questionou a legalidade da votação, mas não houve muita empolgação entre o público, com exceção de bolsonaristas mais emocionados.
O locutor que comandava o carro de som na Esplanada dos Ministérios, espaço reservado para comemoração dos bolsonaristas, chegou a pedir que o público se ajoelhasse e fizesse orações. Muitos começaram a chorar.
Bolsonaro é o primeiro presidente a perder disputa à reeleição
O presidente Jair Bolsonaro (PL) é o primeiro ocupante do cargo a sair derrotado na tentativa de se reeleger à Presidência. O atual chefe do Executivo não conquistou a maioria dos votos válidos no segundo turno da disputa, realizado neste domingo, dia 30. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a vantagem da primeira etapa da disputa e saiu com a vitória.
Desde que a reeleição passou a valer, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na eleição de 1998, todos os presidentes que tentaram um segundo mandato foram bem sucedidos. A emenda da reeleição também permitiu a prefeitos e governadores concorrerem a um segundo mandato no cargo.
Bolsonaro não conseguiu superar a rejeição ao seu nome nas urnas. Antes dele, FHC foi reeleito em 1998, Lula em 2006 e a ex-presidente Dilma em 2014. O então presidente Michel Temer (MDB) não tentou um segundo mandato em 2018.