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COTIDIANO

"Pequena Amanda": mulher de 37 anos que se passava por criança enganou fiéis, que tatuaram nome falso

Polícia do Paraná reabriu investigação após golpista ser presa em SC; acusada inventava doenças graves para explorar vítimas

Joinville, 09/06/2026 19h30 | Por: Redação Folha Regional
Foto: Reprodução

A prisão de uma mulher de 37 anos no início deste mês em Santa Catarina desencadeou a reabertura de uma investigação policial no Paraná. Amanda Maria Souza de Oliveira foi presa em flagrante no último dia 2 de junho, em Joinville, após passar mais de um ano se passando por uma criança de 12 anos para ser adotada por uma família local.

Com a repercussão do caso catarinense, integrantes de um grupo de oração do município de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), reconheceram a fisionomia de Amanda. Diante do surgimento dessas novas evidências e do reconhecimento formal por parte das vítimas, a Polícia Civil do Paraná decidiu retomar o inquérito que apura a atuação da estelionatária.

Câncer terminal e homenagem em tatuagem

De acordo com os relatos das vítimas paranaenses, o crime naquela região ocorreu no ano de 2021. Na época, Amanda utilizava o nome falso de "Emily" e afirmava ser uma adolescente de 13 anos que sofria com um diagnóstico de câncer terminal. Durante cerca de dez meses, ela sustentou uma rotina de relatos falsos envolvendo abandono, agressões físicas e severas perdas familiares para comover os fiéis.

A proximidade e a manipulação psicológica foram tão intensas que uma das integrantes do grupo de oração desenvolveu um forte vínculo afetivo com a suposta menor e chegou a tatuar o nome "Emily" no próprio pulso. A marca na pele só foi removida tempos depois, quando os integrantes passaram a desconfiar do golpe após a acusada começar a solicitar dinheiro recorrentemente.

O caso paranaense foi registrado em boletim de ocorrência em 2022, mas a polícia não havia conseguido identificar a autoria do crime até a prisão de Amanda em solo catarinense.

14 meses como filha adotiva

Em Santa Catarina, o modus operandi da golpista se repetiu, mas com uma roupagem diferente. Sob o nome falso de "Gabriele", Amanda conseguiu convencer um casal em Joinville de que tinha apenas 12 anos e precisava de um lar.

Segundo o delegado responsável pelas investigações em SC, Rodrigo Bueno Gusso, a mulher demonstrou uma alta capacidade de manipulação emocional, fazendo com que a família de acolhida a tratasse e a protegesse como uma criança legítima por 14 meses.

Após denúncias e a descoberta da farsa, a prisão em flagrante de Amanda foi convertida em preventiva após audiência de custódia, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). No estado, ela responderá criminalmente pelos delitos de estelionato e falsidade ideológica.

Atuação em ao menos sete estados

Em depoimento formal prestado à polícia, Amanda Maria Souza de Oliveira acabou confessando que aplicava o mesmo tipo de golpe em diferentes regiões do país. O roteiro das fraudes era estratégico: ela buscava o acolhimento de famílias vulneráveis, igrejas ou projetos sociais alegando ser menor de idade, vítima de abusos e portadora de doenças. 

Para dar veracidade às histórias, ela chegava a confeccionar documentos falsificados e registrar boletins de ocorrência falsos. A polícia já mapeou registros de ocorrências e fraudes semelhantes atribuídas a Amanda em diversas partes do Brasil:

Rio Grande do Sul: foi presa preventivamente entre 2021 e 2022 após dar entrada em um pronto atendimento fingindo ter 11 anos e alegando abuso. Em 2024, voltou a ser autuada por tentar repetir a mesma fraude ideológica.

Goiás: possui uma condenação em julgado a um ano de reclusão pelo crime de falsidade ideológica.

Outras localidades: há registros de golpes sob investigação nas cidades de Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Minas Gerais (MG) e Ceará (CE).

Uma das vítimas do Rio de Janeiro, a nutricionista Renata Magalhães, revelou aos investigadores que Amanda realizava pesquisas aprofundadas na internet para aprender a imitar com precisão os comportamentos infantis e os sinais clínicos associados a adolescentes no espectro autista.

Até o momento, a defesa da acusada não se manifestou publicamente sobre o teor das acusações, limitando-se a protocolar junto à Justiça de Santa Catarina um pedido formal para a realização de uma avaliação psiquiátrica na detida. 

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