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COTIDIANO

“Só ficou a lama e o prejuízo”, lamenta moradora depois de rompimento de dique em Jaguaruna

Contenção de açudes de extração de areia rompeu e causou prejuízos na localidade de Olho D'água. Empresa responsável pela área diz que causa do problema ainda está sendo avaliada, pois o local está inativo há aproximadamente quatro anos

Jaguaruna, 29/11/2023 09h55 | Atualizada em 29/11/2023 10h11 | Por: Redação Folha Regional

“Não deu tempo para fazer nada. Quando vimos, a água invadiu nosso depósito de morangos, a garagem, e quase atingiu nossa plantação e nossa casa. O prejuízo foi grande, nem conseguimos calcular tudo ainda”, relata a moradora da localidade de Olho D’água, em Jaguaruna, Jéssica Ronsane. 

A propriedade dela foi uma das primeiras a serem atingidas pela água que extravasou dos açudes de extração de areia de uma área de mineração instalada no local. O caso ocorreu no domingo, dia 26, e assustou moradores. 

Centenas de litros de água se espalharam pela Rodovia Ângelo Zilli, que dá acesso à localidade de Olho D’água, destruindo o asfalto e invadindo casas e comércios. A estrada chegou a ficar mais de 24 horas interditada e, após obras paliativas, foi liberada no final da tarde desta segunda-feira, dia 27, para o tráfego de veículos. 

Jéssica conta que mora há 16 anos no bairro e nunca havia assistido a nada parecido. Na propriedade onde mora com o marido e dois filhos, a família mantém uma plantação de morangos. Ela havia feito a colheita no domingo pela manhã. À tarde, quando foi fazer a irrigação, deparou-se com o barulho do grande volume de água chegando até seu terreno. Em questão de segundos, a água invadiu o depósito, a garagem e em grande parte da sua propriedade, causando danos nos equipamentos que eles mantinham no local. 

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O sistema de irrigação a motor, geladeiras, freezers, máquinas de embalagem e outros itens foram danificados com a água, que chegou a quase um metro de altura. “A sorte que os vizinhos nos ajudaram a tirar o carro, mas o resto queimou tudo. A água vinha acima da minha cintura. Ficou tudo sujo de lama, e agora é que estamos começando a ver o tamanho do prejuízo. Os morangos que estavam colhidos e armazenados perdemos tudo. Sem falar que os que estão plantados ficaram sem o sistema de irrigação e provavelmente também vamos perder”, lamenta.

Além da propriedade de Jéssica, outros terrenos foram prejudicados, principalmente uma madeireira. O estoque e equipamentos foram levados pela força da água e ficaram espalhados na rodovia, também causando danos na pavimentação asfáltica. 

Força-tarefa executa trabalhos de recuperação

Após os estragos, uma equipe da prefeitura de Jaguaruna, da Defesa Civil Regional, representantes da empresa JR Construções, responsável pelo rompimento do areal, e equipes da Cooperaliança formaram uma força-tarefa para iniciar os trabalhos de recuperação do local. A intensidade da água chegou a arrancar alguns postes, interrompendo o abastecimento de energia na região. Repórteres da região foram até o local para noticiar o caso, e um jornalista da NSC de Criciúma quase foi atingido por um poste que caiu durante a gravação da reportagem, na localidade de Olho D’água.

Estudo será feito para descobrir a causa do rompimento da contenção

A empresa JR Construção e Terraplanagem, de Içara, é a responsável pela extração de areia na localidade de Jaguaruna e acompanha a situação após o rompimento do dique de contenção de dois açudes. 

De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Jaguaruna (IMAJ), a empresa possui licença ambiental para o funcionamento dos serviços em torno da barragem, concedida pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA).
Segundo o representante da empresa, Julio Remor, a causa do rompimento ainda está sendo avaliada, pois a área está inativa há aproximadamente quatro anos. A extração de areia ocorreu por mais de 10 anos. 

“Foi feita uma vazão técnica para equilibrar o nível de água dos dois lados do talude, aí a pressão da água se equaliza. Os açudes alagam por serem a área mais baixa daquela região. É a lei da natureza. Inclusive, ajuda a drenar as áreas nas redondezas. Está tudo conforme os procedimentos ambientais do programa de recuperação ambiental do local”, explica Remor.  

Conforme o diretor do IMAJ, Caio Gomes de Souza, consta que a empresa protocolou no dia 30 de novembro de 2022 o plano de fechamento da mina de extração. “O IMAJ não tem permissão para emitir licença de dragagem, cabe ao IMA emitir a licença e fazer a fiscalização. Nesta semana vamos até o local para monitorar a situação”, diz.

O representante da JR Construção destaca que, após a retomada da mobilidade, será iniciada a recuperação da pavimentação asfáltica e os levantamentos dos impactos nas casas e estabelecimentos para indenização. “Estamos monitorando a situação. Vimos que a água entrou em um depósito de uma residência danificando alguns eletrodomésticos e ainda arrastou um estoque de uma madeireira. A empresa fará esse levantamento e se coloca à disposição da comunidade para auxiliar na volta da normalidade”, afirma.

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