Poeira rica em ferro suspensa no ar alterou a luz solar e agravou os efeitos das rajadas intensas em cidades do oeste australiano
Divulgação/Folha Regional A passagem do ciclone tropical Narelle pelo oeste da Austrália causou ventos fortes, chuva intensa e uma grande nuvem de poeira que cobriu cidades e deixou o céu em "tons de vermelho sangue", criando um cenário descrito como “apocalíptico”, na região.
O fenômeno foi registrado em áreas como Shark Bay e Exmouth, onde moradores relataram dificuldade para respirar por causa do ar cheio de poeira, segundo o Departamento de Meteorologia do governo australiano.
Imagens mostram que o tempo mudou rapidamente na sexta-feira (27), com o céu ficando vermelho-alaranjado à medida que a poeira foi levantada pelo vento. Em alguns pontos, as rajadas chegaram a até 250 km/h.
O ciclone atingiu o continente como um sistema de categoria 3 , causando estragos como telhados arrancados, alagamentos e falta de energia e água, principalmente em cidades como Exmouth. Além disso, as usinas de Gorgon e Wheatstone, responsáveis por cerca de 5% da produção mundial de gás natural liquefeito, tiveram as atividades interrompidas, segundo a Chevron, empresa que opera as unidades.
Autoridades locais emitiram alertas de emergência e reforçaram que os moradores deveriam permanecer em locais seguros durante a passagem do ciclone.
Por que o céu ficou vermelho
A cor diferente do céu aconteceu por causa da poeira do solo, que é rica em ferro, comum em regiões secas da Austrália. Com a força do vento, essa poeira foi levada para o alto e se espalhou pelo ar.
Essas partículas mudam a forma como a luz do sol passa pela atmosfera, deixando o céu com tons avermelhados. Apesar de chamar atenção, especialistas explicam que isso é um fenômeno natural, provocado pela suspensão de partículas de poeira ricas em óxido de ferro.
Evolução do ciclone
Segundo dados do programa Copernicus, Narelle se formou em 16 de março no Mar de Coral e ganhou força rapidamente, chegando à categoria 5 no dia 19, o nível mais alto desse tipo de fenômeno. Ao atingir o oeste australiano, já estava mais fraco, mas ainda com potencial para causar danos.
Durante sua passagem, foram registradas ainda grande volume de chuva, com acumulados acima de 150 mm em algumas áreas. Também houve avanço do mar sobre a costa, o que aumentou o risco de alagamentos.