Alunos do pré-escolar se emocionaram ao ouvir áudios com mensagens de carinho dos pais em uma atividade em alusão à campanha Setembro Amarelo
Uma atividade realizada na sexta-feira, dia 29, no Centro de Educação Infantil (CEI) Sementinha do Saber, em Capivari de Baixo, emocionou pais, professores e alunos e destacou a importância e o peso de uma palavra positiva.
Em alusão à campanha Setembro Amarelo, a professora Carla Poleza decidiu fazer uma atividade diferente com seus alunos do pré-escolar. Durante toda a semana ela trabalhou a importância da prevenção ao suicídio e os cuidados com a saúde mental com as crianças e encerrou a semana com uma surpresa especial aos pequenos.
“Pedi para as mães gravarem uma mensagem falando do quanto o filho é importante para ela e a família e nessa sexta coloquei para eles ouvirem”, explica.
Cada aluno pode ouvir um áudio de seus pais compartilhando palavras de carinho e amor por eles e a reação surpreendeu a professora, principalmente do pequeno Arthur, de 5 anos.
“A maioria ficou bem emocionado. Eu não esperava que eles teriam essa reação, pensava que iriam achar engraçado. O Artur foi um dos que mais se emocionou. Quando ele percebeu que era a mãe dele, o olho já se encheu de lágrimas. Quando vi a reação do Arthur respirei e pensei, valeu a pena”, conta a professora.
Arthur é filho de Samuel Medeiros Blasius, que também se emocionou ao ver a reação do filho. “Achei tão puro ver meu filho se emocionar a ouvir a voz da minha esposa falando que o amava. Foi uma linda iniciativa da professora e da escola”, comenta.
Ele ressalta ainda sobre como é importante ter essa conscientização da importância da vida e essa troca de afeto entre pais e filhos.
Setembro Amarelo 2023: se precisar, peça ajuda
Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem e ajudar na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu. É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha.
Quando uma pessoa decide terminar com a sua vida, os seus pensamentos, sentimentos e ações apresentam-se muito restritivos, ou seja, ela pensa constantemente sobre o suicídio e é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema. Essas pessoas pensam rigidamente pela distorção que o sofrimento emocional impõe.
Se informar para aprender e ajudar o próximo é a melhor saída para lutar contra esse problema tão grave. É muito importante que as pessoas próximas saibam identificar que alguém está pensando em se matar e a ajude, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos, mostrar que está disponível para ajudar e demonstrar empatia, mas principalmente levando-a ao médico psiquiatra, que vai saber como manejar a situação e salvar esse paciente.
Dados sobre suicídio
O suicídio é um importante problema de saúde pública, com impactos na sociedade como um todo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde - OMS, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama - ou guerras e homicídios.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa e morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Trata-se de um fenômeno complexo, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades.
Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022, entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil.
As taxas variam entre países, regiões e entre homens e mulheres. No Brasil, 12,6% por cada 100 mil homens em comparação com 5,4% por cada 100 mil mulheres, morrem devido ao suicídio. As taxas entre os homens são geralmente mais altas em países de alta renda (16,6% por 100 mil). Para as mulheres, as taxas de suicídio mais altas são encontradas em países de baixa-média renda (7,1% por 100 mil).