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COTIDIANO

Entrevista: “Prioridade do PT é voltar para a Câmara”, diz presidente do partido em Tubarão

PT se prepara para outubro com perspectivas mais positivas do que na última eleição municipal. Matheus Madeira, presidente do PT em Tubarão, diz que prioridade é chegar às Câmaras

06/03/2024 11h42 | Por: Redação Folha Regional

Depois da eleição anterior, em pleno auge da onda Bolsonaro, quando a esquerda em geral teve grandes dificuldades para conquistar os votos nos municípios, o PT de Tubarão se prepara para outubro com perspectivas mais positivas. 

O presidente municipal do partido, Matheus Madeira, jornalista e pré-candidato a vereador, diz que a meta em geral é retomar espaço nas Câmaras de Vereadores, principalmente nas cidades maiores da região. O partido aposta também no fortalecimento da esquerda, em um movimento que teria ficado mais evidente com a ida de Décio Lima para o segundo turno na eleição ao governo do Estado. “Não tenho dúvida de que está havendo uma reconstrução. O fundamental nesta eleição é fortalecer o partido nas Câmaras de Vereadores”, avalia.

Chapa com PV e PCdoB

A gente está priorizando até 6 de abril – que é o prazo limite para filiação – fazer as filiações para composição da chapa proporcional. Temos quatro nomes levantados como possíveis pré-candidatos à chapa majoritária: Olávio Falchetti, Professor Paulão, Matusa e José Fontoura. Todos já são filiados ao PT. Então a gente não precisa priorizar isso nesse momento. Tem uma novidade que é a federação. O PT vai concorrer com PV e PCdoB, que estavam desativados, mas estão se reconstruindo. A gente está coordenando o trabalho desses três partidos, porque vão formar chapa única. É possível que aconteça de o PV colocar três candidatos, o PCdoB mais três, e o PT 10 candidatos. É o acordo. 

PT nas Câmaras 

A gente tem aproximação com o Psol e uma conversa com o PDT. São grupos pequenos, mas com quem a gente certamente vai discutir a composição majoritária, embora esteja priorizando a eleição proporcional. Nossa prioridade é voltar para a Câmara. É um cenário geral no Estado: o PT perdeu muito espaço nas Câmaras. Só temos um vereador na Amurel, em Armazém. No sul do Estado inteiro temos três vereadores: Armazém, Araranguá e Forquilhinha. O PT foi meio que varrido das Câmaras. O grande objetivo dessa eleição vai ser retomar o espaço no Legislativo. Claro que onde der para disputar a majoritária tanto melhor.

Meta para 2024

Na eleição passada faltaram 300 votos para a gente eleger um vereador em Tubarão. Aquele momento era uma lua de mel do governo Bolsonaro. Foi muito ruim aquela eleição para a esquerda. A gente entende que o cenário melhorou muito. Nossa chapa também melhorou. Com a junção das candidaturas com a federação, temos a expectativa realista de eleger dois vereadores em Tubarão. Dá para chegar lá.

Cenário favorável   

Tem uma conjuntura mais favorável este ano. Por mais que talvez a maior parte das pessoas seja contrária e não tenha votado em Lula, o governo federal está conseguindo apresentar alguns resultados práticos. Tem um cenário melhor, a chapa é mais forte. Tem pessoas que na eleição passada não quiseram ser candidatas para evitar conflito familiar e que nesta eleição vão concorrer. A chegada de candidatos do PV e PCdoB traz votos de grupos diferentes, principalmente PV, que não é tão identificado com a esquerda.

Articulação nos municípios

Em muitos municípios o PT foi desarticulado. A eleição passada foi a primeira em que não se podia fazer coligação na proporcional. Em muitos municípios o PT não conseguiu apresentar chapa. Agora na eleição deste ano o PT tem uma movimentação boa em Laguna, com a pré-candidatura do Célio Antônio e três ex-vereadores como pré-candidatos à Câmara. Tem movimentação legal em Imbituba também com a pré-candidatura da Graciela Wiemes Ribeiro, que já foi secretária da Saúde. Em Santa Rosa de Lima, que já tem o prefeito Salésio Wiemes, temos a pré-candidatura da Siuzete Vandresen Baumann, secretária de Saúde. O ex-vereador Cléber Silva é pré-candidato em Braço do Norte. Em alguns municípios o partido está desarticulado, mas em outros está renascendo, principalmente nas cidades maiores.

Extrema direita

A região abraçou muito as bandeiras da extrema direita. Isso dificultou muito. Era difícil convencer uma pessoa a ser candidata à vereadora pelo PT, porque isso dava conflito dentro da família. A pessoa é filiada, mas não queria ir para aquele enfrentamento. Foi um momento muito ruim. Bolsonaro estava em ascensão muito grande. Na segunda metade do governo é que ele foi se desgastando a ponto de perder a eleição. Mas na primeira metade aquele movimento era muito forte. Em muitas cidades o partido se desarticulou completamente. Quando isso acontece, reconstruir e fazer chapa inteira de vereador é complicado. Fazer do zero é difícil.

Eleição depois da Mensageiro

No aspecto da transparência e honestidade, nosso governo (2013 a 2016) é muito bem avaliado. Talvez seja isso de que a cidade precise de novo. Esse é o argumento que a gente vai usar para convencer o Olávio Falchetti a topar a candidatura de novo. A gente está deixando esse assunto adormecido até o prazo final das filiações para ter um foco. Mas vai chegar um momento em que a gente vai ter que conversar com ele.

Olávio Falchetti 

Todo mundo entende que o Olávio seria a candidatura ideal, por ele ter uma experiência administrativa importante e aprovada, principalmente na questão da transparência e honestidade. Tubarão precisa voltar a ter um choque de credibilidade. Mas acho que o Olávio precisa sentir que as pessoas querem. Ele tomou a decisão de se aposentar, não ser mais candidato. Então a gente está tentando fazer ele reavaliar a decisão. Vai depender do cenário. 

Coligações

A gente tem possibilidade de discutir coligação. Não vamos discutir com o PL por deliberação nacional e por divergência natural. Mas com os demais partidos podemos conversar, alguns partidos mais à esquerda, como Psol e PDT, e também outros partidos, como MDB e PSDB. A gente tem total possibilidade de conversar com quem quiser construir um cenário de renovação para a cidade.

Negociações

Assim como estamos fazendo, todos os partidos estão focando na proporcional agora. Até porque a força que cada partido vai ter depende disso. Está todo mundo nesse compasso. Quando acabar o prazo de filiação, aí sim essas conversas vão começar a acontecer. Tem quem ache que PSD e PL vão estar juntos, tem quem ache que não. O Jairo (Cascaes, prefeito de Tubarão) é um cara com quem a gente se dá bem. Mas vai depender da conjuntura. A gente não pode estar junto com quem estiver com o PL. 

Chapa diversa

Filiação em massa não dá tanto resultado. A campanha de 2022 foi muito boa para a gente fazer conversas e filiar pontualmente pessoas que hoje estão na chapa para serem candidatos a vereadores. A nossa ideia é ter a chapa mais ampla possível, mais representativa possível. Em Tubarão, a perspectiva é de que nossa chapa seja meio a meio, metade homem, metade mulher, acima da cota de gênero. Tem bastante mulher se apresentando. A gente está vindo para reconstruir. Há várias demandas sociais que hoje não se tem por onde começar. Por mais que seja uma condição de minoria, é alguma coisa.

Aposta na esquerda

Não tenho dúvida de que a esquerda está crescendo no Estado. A ida de Décio Lima para o segundo turno mostra isso, porque tudo é cíclico, nada é eterno. Acho que vão acontecer alguns bons resultados. Tomara que Tubarão e região estejam nesse bolo.

Comparação como estratégia

A comparação entre governos é fundamental. Hoje tem gasolina mais barata do que no tempo do Bolsonaro, os preços nos mercados estão mais baixos, há perspectiva de construção da casa própria. No governo do Bolsonaro, que a região endossou, a gente não teve nenhuma obra significativa aqui. Nenhuma. Não tem nada. Tem muitos resultados para comparar os governos e mostrar também que o PT faz muita falta na Câmara. Não só a Operação Mensageiro, mas, por exemplo, a situação da Unisul, que foi repassada para um grupo privado e praticamente se acabaram as aulas presenciais, são assuntos que a Câmara não discute. Hoje falta oposição. Tomara que a população vislumbre isso e coloque uma oposição do PT lá. Se tivesse vereador do PT, não teria sido a mesma coisa.

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