Municípios da Amurel somaram 71.838 casos e 1.283 mortes em 2020 e 2021. Hoje, desde 2025, foram 856 casos e cinco óbitos
Foto: Divulgação Passados seis anos em que os primeiros casos foram confirmados na região - a primeira morte pela doença em Tubarão ocorreu em 7 de abril de 2020 -, hoje pouco se ouve falar na Covid-19. A vacina segue disponível na rede pública de saúde, mas a procura é baixa.
Muita gente acredita que não existem mais riscos. Será que é verdade? O infectologista Rogério Sobroza de Mello explica o que mudou desde o fim da pandemia, que iniciou em 2019 e terminou oficialmente em 5 de maio de 2023, por decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS).
“O vírus sofreu várias mutações no final da pandemia, sendo que hoje a cepa predominante bastante transmissível ainda, mas causa doença menos grave, ou seja, tem a tendência menor de causar aqueles casos graves que a gente via durante a pandemia”, explica o médico.
Para se ter uma ideia na prática, a redação do Folha Regional fez um comparativo do período atual com os anos do ápice da pandemia. Em Santa Catarina, o número de infectados com o vírus foi de 485.935 em 2020 e 737.223 em 2021. Foram 5.161 óbitos em 2020 e 14.082 no ano seguinte. Já as quantidades hoje são bem menores, com 12.866 casos no ano passado e 163 neste ano; e 82 mortes em 2025 e 21 em 2026.
Na Amurel, foram registrados 38.414 casos e 466 óbitos em 2020, e 33.424 casos e 817 mortes em 2021. Tubarão foi o município com maior incidência - 12.792 casos e 203 óbitos em 2020, e 9.997 casos e 274 mortes em 2021.
Em 2025, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima não registraram casos. As outras 16 cidades da região, juntas, somaram 838 casos e quatro óbitos – dois deles em Laguna. Neste ano, houve uma morte por Covid, em Laguna, e 18 casos - Armazém (1), Braço do Norte (1), Imbituba (3), Laguna (1), São Ludgero (2), Treze de Maio (1) e Tubarão (9).
Nova variante
Recentemente, uma nova variante do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, foi identificada em ao menos 23 países. Chamada de BA.3.2, a linhagem apresenta um maior escape imunológico dos anticorpos do que as cepas predominantes hoje no mundo e alvos das vacinas. Mesmo assim, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não há evidências de que a BA.3.2 provoque doença mais grave ou que os imunizantes atuais não ofereçam um grau elevado de proteção contra casos graves.
“As vacinas atuais praticamente não causam efeitos colaterais graves”
Folha Regional - O que mudou com relação à Covid-19? A contaminação hoje é menor? O vírus é mais fraco?
Dr. Rogério Sobroza - Desde o final da pandemia de Covid, nós tivemos uma série de mudanças. O vírus sofreu várias mutações no final da pandemia, sendo que hoje temos uma cepa predominante que é bastante transmissível ainda, mas que causa doença menos grave, ou seja, tem a tendência menor de causar aqueles casos graves que a gente via durante a pandemia. Ao mesmo tempo, tendo as pessoas vacinadas, essas pessoas que receberam a vacina também têm a tendência ou a não adquirir a doença, ou adquirir a doença numa forma menos grave, numa forma mais branda.
Folha Regional - Qual o papel da vacinação para o fim da pandemia?
Dr. Rogério - Na época da pandemia em que não havia vacina, as pessoas pegaram várias vezes a Covid. Então, o vírus em si não era imunizante. Então, a grande causa do final da pandemia foi realmente uma cobertura vacinal suficiente para impedir aquele nível de contaminação e a gravidade dos casos.
Folha Regional - Hoje a vacinação é muito baixa. Ao que podemos atribuir essa pequena procura?
Dr. Rogério - Hoje em dia, não é indicado que todas as pessoas fiquem refazendo vacinas de Covid. Então, para a pessoa ser considerada vacinada, ela teria que ter três doses da vacina, sendo pelo menos uma delas a vacina com a cobertura da cepa Ômicron, que era aquela vacina bivalente. É muito importante ainda a vacinação para aquelas pessoas imunossuprimidas, que tomam medicações que baixam a imunidade ou que têm problemas da imunidade, por exemplo, pessoas portadoras do HIV, pessoas mais idosas, porque essas pessoas não mantêm a imunidade por um tempo tão prolongado. Mas as pessoas que tiveram as três doses, a princípio, têm uma imunidade ainda à Covid.
Folha Regional - É comum algumas pessoas contrárias à vacina associarem mortes à imunização. Essa suposição pode fazer sentido?
Dr. Rogério - As vacinas que existiam inicialmente para a Covid tinham risco um pouco maior de gerar eventos adversos, então, especialmente a vacina de Oxford - aquela vacina que usavam adenovírus - tinha realmente um potencial de causar alguns efeitos colaterais mais graves. As vacinas atuais já estão com um bom tempo de pós-marketing, ou seja, já têm um bom tempo de observação das pessoas vacinadas e se sabe que elas praticamente não causam efeitos colaterais graves ou que esses efeitos são em níveis menores do que um para cada um milhão de pessoas vacinadas.
Folha Regional - Com o enfraquecimento da pandemia, cuidados preventivos como lavar as mãos com frequência e a etiqueta da tosse foram deixados de lado. Como o senhor avalia esse comportamento no contexto da saúde pública?
Dr. Rogério - É realmente uma pena que esses comportamentos protetivos tenham sido deixados de lado após a pandemia, porque realmente poderiam ter sido um aprendizado importante para prevenir inúmeras doenças que ainda ocorrem na nossa sociedade, desde quadros virais, como resfriados, gripes, até doenças transmitidas por alimentos, como diarreias infecciosas. Muitas doenças podem ser prevenidas, especialmente através da questão da higienização das mãos. E a gente poderia ter trazido esse conhecimento e ter se beneficiado com essa mudança de comportamento.