“Em momento algum agredi a professora”, garante ela, que é mãe de uma criança diagnosticada com autismo nível 2 de suporte; outras mulheres também relataram reclamações contra a mesma professora
A mãe acusada de ter agredido uma professora de um Centro de Educação Infantil de Jaguaruna diz em entrevista exclusiva à Folha Regional que outras mulheres também já registraram reclamações contra a educadora há alguns meses e nega que a tenha desacatado.
De acordo com a diretora da unidade escolar, a mãe foi até o local questionar algumas atitudes da professora 2, responsável pela educação inclusiva em sala de aula. Durante a discussão, mãe e professora se alteraram e trocaram agressões verbais, até que a mãe teria agredido a professora com arranhões.
Uma ata foi registrada com os depoimentos e um boletim de ocorrência também foi registrado na delegacia para apurar o caso. O caso foi levado até a Secretaria de Educação do município, que chegou a emitir uma nota de repúdio.
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Após desentendimento, mãe agride professora em escola de Jaguaruna
Jaguaruna: Após agressão contra professora, secretaria de Educação e Sinserj emitem nota de repúdio
Nesta entrevista a mãe afirma que, no decorrer da semana, notou que seu filho, diagnosticado com autismo nível 2 de suporte, voltou para casa com a mesma fralda, o que causou assaduras na criança. Conforme a mãe, o fato se repetiu por dois dias seguidos, até que ela entrou em contato com a direção para questionar o motivo de a criança não ter sua fralda trocada. A diretora solicitou que a mãe fosse até a escola para conversarem.
Ela foi na quinta-feira, dia 14, e se deparou com a professora 2. “Na quinta-feira fui até a escola com meu filho. A professora chegou e questionei por que ela não estava trocando ele. Ela disse que eu não estava mandando a roupa. E nisso ela começou a se alterar. Fomos pra sala da diretora e ali iniciou a confusão. Ela reclama das crianças, principalmente as especiais. Ela disse que estava cansada de tudo isso, começou a me questionar e não respondia o motivo de não ter trocado o meu filho. Ela não gostou, se alterou e partiu pra cima de mim com o dedo na minha cara, dizendo que iria me bater. Eu não tenho sangue de barata, porque estava ali pra defender o meu filho”, conta.
A mãe nega que teria desacatado a professora. “Eu me levantei, mas em momento algum desacatei ela. A discussão foi aumentando, foi chamada a outra professora, e ela segurou pra ela não me bater. Peguei o meu filho, e voltei na diretoria, eu estava bem alterada pela situação. Fui até ela, coloquei a mão nela e disse que nunca mais daria aula para o meu filho. Quando botei a mão, ela colocou a própria mão sobre o peito, arregaçou a camisa, se arranhando, gritando, dizendo que eu agredi ela, mas em momento algum agredi, apenas coloquei a mão nela. Não cheguei a empurrar, jamais agredi ela. Ela mesmo que se arranhou, até porque eu não tenho unha pra isso”, relata.
Ela prossegue seu relato: “Naquele momento eu saí da sala e fui embora com o meu filho. Bastante gente viu o que ela fez e o que eu fiz. A diretora foi atrás de mim, eu estava trêmula e só pensava em defender o meu filho. Já tem reclamação dessa professora desde o início do ano e até situações no ano passado. Tem bastante atas contra ela de reclamação. Depois fui até a Secretaria de Educação, elas ouviram o meu relato. As mães precisam ser ouvidas, tem algumas mães que têm provas e queremos que tudo isso seja resolvido, porque é uma negligência”, detalha.
Outras mães também relataram situações envolvendo a mesma professora, além de reclamarem da falta de estrutura em sala de aula. Elas afirmam que irão levar as atas já registradas e um boletim de ocorrência até o Ministério Público em busca de medidas de urgência para melhorias na educação inclusiva na rede municipal.
“Sou mãe de uma criança autistas nível 2 de suporte, meu filho tem muita sensibilidade auditiva e quando ele está em crise dá cabeçada nas pessoas, nas coisas. Cientes desses fatos, a diretora me autorizou a ficar na sala com meu filho pra fazer a adaptação. Nesses dias observei a professora em questão gritando e repreendendo as crianças típicas e atípicas e repreendendo até mesmo as estereotipias das crianças atípicas”, conta outra mãe, que afirma que o ocorrido nesta semana não é caso isolado.
“Presenciei uma crise de um dos meninos atípicos e nessa crise o menino acabou mordendo a professora e ela acabou proferindo uma fala preconceituosa, fala essa que eu levei até a direção e fizemos ata com a coordenadora da Secretaria da Educação. Mesmo eu pedindo outra professora, elas alegaram que não iriam tirar ela porque a mesma tinha vários anos de experiência, mas que iriam averiguar a situação”, relata.
Nesta sexta-feira, dia 15, o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Jaguaruna (SINSERJ) emitiu nota de repúdio afirmando que “nada justifica qualquer ato de violência e que o diálogo é sempre o melhor caminho e solicita que providências sejam tomadas”.
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura do município disse em nota que “a professora agredida está recebendo suporte e apoio e o caso será investigado”.