Foram bloqueados R$ 282 milhões e as 15 prisões mantidas após audiências de custódia durante operação Mensageiro deflagrada pelo GAECO. As investigações seguem em segredo de justiça
As 15 prisões preventivas requeridas pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foram deferidas e mantidas pelo Tribunal de Justiça catarinense.
No mesmo dia da deflagração da Operação Mensageiro, dia 6, foram realizadas as audiências de custódia presencialmente no Fórum da Comarca de Joinville pela Desembargadora Relatora Cinthia Beatriz da Silva Bittencourt Schaefer e, representado o MPSC, pelo Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Fábio de Souza Trajano, e pela Promotora de Justiça Assessora Caroline Cristine Eller.
Dos 15 presos, três são prefeitos de cidades de Santa Catarina: Deyvison Souza, de Pescaria Brava, Luiz Henrique Saliba, de Papanduva e Antônio Rodrigues, de Balneário Barra do Sul.
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Prefeito de Pescaria e secretário de Capivari estão entre os detidos na operação do GAECO
O prefeito Deyvison Souza foi preso preventivamente em Brasília na terça, em viagem oficial. A prisão foi confirmada pelo advogado Pierre Vanderlinde.
Em Papanduva, o prefeito, Luiz Henrique Saliba foi preso na operação. O prefeito Antônio Rodrigues, de Balneário Barra do Sul, também foi preso. O advogado de defesa Marlon Bertol informou que vai pedir habeas corpus para conseguir a liberdade do político assim que tiver acesso ao processo.
As audiências, que servem para avaliar eventuais ilegalidades durante o cumprimento das prisões, aconteceram durante a tarde e parte da noite. O investigado preso em Brasília também foi apresentado em audiência de custódia naquele local. Da mesma forma, todos 109 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Durante as buscas, foram apreendidos no total mais de R$ 1,3 milhão em espécie localizados nas residências e locais de trabalho dos alvos investigados. Além disso, foram recolhidos para perícia 58 computadores, 85 aparelhos de telefone celular e 140 mídias eletrônicas. Os bens de 25 empresas e 11 pessoas físicas foram bloqueados por ordem do TJSC em mais de R$ 282 milhões.
A operação da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC) do MPSC, ocorreu durante todo o dia desta terça-feira, dia 6, nas regiões Norte, Sul, Planalto Norte, Vale do Itapocu, Vale do Itajaí, Alto Vale do Itajaí e Serra catarinenses. O objetivo da investigação é apurar suspeita de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro no setor de coleta e destinação de lixo em diversas regiões de Santa Catarina.
No dia seguinte, dia 7, as investigações continuaram com a oitiva de pessoas e organização para análise do material apreendidos. Os documentos e materiais apreendidos irão passar agora por avaliação técnica e as investigações seguem em segredo de justiça. Assim que houver a publicidade dos autos, novas informações poderão ser divulgadas.
A Operação Mensageiro envolveu cerca de 220 Policiais Civis, Militares e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e 23 Promotores de Justiça. Contou com o importante apoio do GAECO do Ministério Público do Paraná (MPPR) e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) no cumprimento de mandados de prisão de dois envolvidos. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Polícia Civil e a Polícia Científica também prestaram apoio à operação.