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COTIDIANO

MP investiga prefeita de SC que gravou vídeo jogando livros de biblioteca pública no lixo

A prefeita Juliana Maciel afirmou que obras com cunho sexual eram para crianças e faziam parte de um projeto idealizado pelo governo federal

19/04/2024 20h17 | Atualizada em 19/04/2024 20h23 | Por: Redação Folha Regional

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou, nesta sexta-feira, dia 19, uma notícia de fato para apurar o descarte de livros de uma biblioteca pública e comunitária de Canoinhas, no Norte do estado. A investigação é da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Canoinhas, responsável pela área da Infância e Juventude e Educação. A informação é do G1SC.

O procedimento ocorre após a prefeita Juliana Maciel (PL) publicar vídeo nas redes sociais onde chama as obras, disponíveis no espaço administrado pela própria prefeitura, de "porcaria" e simula jogar os exemplares no lixo.

Na gravação, a gestora afirma que as obras “Aparelho Sexual e Cia”, de Zep e Hélène Bruller e “As melhores do Analista de Bagé", de Luís Fernando

Veríssimo, eram destinadas a crianças e tinham cunho sexual. As indicações etárias dos livros, no entanto, são juvenil e adulta, respectivamente.
"Bota o adolescente, a criança, induz a coisa que não é dos valores que a gente acredita. Não é o que a família quer que ele aprenda, não é o que realmente uma criança ou até um adolescente precisa ler numa biblioteca" diz a prefeita.

No mesmo vídeo, Juliana ainda afirma que o material fazia parte de um projeto idealizado pelo governo federal. A informação foi desmentida pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

O órgão chamou, em nota pública, de desinformação notícias que veicularam a pasta ao projeto e afirmou que a biblioteca, chamada de 'Mundoteca', não tem vínculo com a atual gestão federal, apesar de ter sido idealizada a partir de uma política pública de incentivo.

Nesta sexta-feira, dia 19, a prefeita compartilhou um novo vídeo afirmando que não tinha intenção de causar polêmica, porém, decidiu se posicionar. “Aqui a gente cuida e protege nossas crianças”, diz a legenda do vídeo. “Eu não tinha intenção de causar polêmica nenhuma com os livros, mas enquanto política e prefeita de Canoinhas, não tenho medo de me posicionar e de tomar decisões firmes quando necessárias. Aqueles livros não são próprios para crianças, e não sou eu que estou dizendo, a própria editora que diz (...)”, afirma a prefeita. (clique aqui e assista o vídeo)

Livros

Os livros foram distribuídos ao município gratuitamente pela FGM Produções, uma empresa privada que idealizou o projeto "Mundoteca" em âmbito nacional, como forma de abater no pagamento de Imposto de Renda. A empresa custeou a compra do acervo e de todo o material disponível no ambiente com recursos da Lei de Incentivo Cultural em 2018.

Entre as obras disponibilizadas estão as mencionadas pela prefeita: "Aparelho Sexual e Cia”, de Zep e Hélène Bruller e “As melhores do Analista de Bagé", de Luís Fernando Veríssimo. Ambos têm indicações etárias juvenil e adulto, respectivamente.

A administração municipal confirmou que as obras são classificadas por faixa etária, no entanto, disse que os exemplares "trazem desenhos e textos de cunho sexual", que "não tratam sobre práticas educacionais", e que "não condizem com o que a Secretaria Municipal de Educação preza e ensina".

A prefeitura de Canoinhas disse, ainda, que os livros não foram jogados fora, como afirma a prefeita no vídeo, mas que serão encaminhadas aos responsáveis pela criação da Mundoteca, que é a FGM Produções.

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