A depender do peso e da marca, alta no preço do produto chegou a 26%
Com a aproximação da Páscoa, marcada para o dia 31 de março deste ano, supermercados e lojas começam a encher suas prateleiras com uma variedade de ovos de chocolate e ingredientes para produção artesanal.
No entanto, consumidores devem se preparar para gastar mais na compra desses produtos em virtude do aumento nos preços do cacau, matéria-prima essencial para a fabricação de chocolates, que atingiu valores recordes em 2024.
No Espírito Santo, um dos principais produtores de cacau do Brasil, o preço da saca do fruto dobrou em comparação com o ano anterior, passando de R$ 860 em 2023 para R$ 1.840 este ano.
Esse aumento no custo do cacau afeta diretamente os preços do chocolate, pressionando tanto consumidores, que enfrentarão preços mais altos, quanto produtores, que veem na alta uma oportunidade para melhorar o cuidado com suas lavouras.
A diminuição na oferta de cacau no mercado internacional, especialmente devido à redução da produtividade nas lavouras africanas, é apontada como a principal razão para o aumento dos preços. Problemas climáticos, impactos do fenômeno El Niño e o envelhecimento das plantações contribuíram para a queda na produção nos países da Costa do Marfim e Gana, maiores produtores globais do fruto.
Um estudo realizado pela empresa Horus revelou que, entre janeiro e fevereiro, houve um aumento nos preços de diversas categorias de chocolate no Brasil. Barras de chocolate, chocolates e bombons, e ovos de Páscoa tiveram aumentos de 11%, 10,5% e 1,8%, respectivamente.
Além disso, o grama do chocolate nos ovos de Páscoa é mais caro do que em outros itens do portfólio anual do varejo. A expectativa é que os valores comecem a ceder na semana anterior ao feriado, quando o varejo busca desfazer do estoque dos produtos sazonais.
A depender do peso do ovo de páscoa e da marca, a alta chegou a atingir a marca de 26% nos dois primeiros meses do ano.
O aumento verificado nos preços em 2024 é maior que o registrado no mesmo período de 2023, quando os ovos de Páscoa acumularam alta média de 0,4%. Isso ocorre, segundo Fercher, devido ao custo de produção da indústria, que foi influenciado pela alta das cotações do cacau, do açúcar e do leite.
Apesar disso, dados divulgados pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) revelam que a expectativa é que as vendas de chocolate cresçam cerca de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa estimativa se deve a aspectos macroeconômicos, dentre os quais está o aumento do salário-mínimo, além do registro da menor taxa de desemprego no país desde 2014, segundo o IBGE.
Como economizar
Para quem deseja economizar, sem deixar a tradição de lado, Aline Soaper, educadora financeira e fundadora do Instituto Soaper, dá algumas dicas.
Segundo a especialista, quem não quer deixar de presentear amigos ou familiares com os tradicionais ovos de Páscoa precisa definir um valor fixo a ser gasto com esses mimos.
"Esse valor precisa ser definido com base na realidade de cada família e dividido pela quantidade de pessoas que serão presenteadas. Além disso, é fundamental evitar os parcelamentos, porque, apesar das parcelas serem pequenas, elas podem se acumular com outras que já foram feitas anteriormente", explica Aline Soaper.
Outra dica da educadora financeira é pesquisar e usar a criatividade na hora das compras. “Para quem está com um orçamento apertado, trocar as marcas mais famosas por outras que estão chegando no mercado, com preços mais acessíveis, é uma boa forma de economizar sem deixar de presentear”, aconselha a educadora financeira.
E se os ovos de Páscoa estão fora do orçamento, Aline Soaper indica os bombons e as barras de chocolate, além das opções feitas em casa, como forma de manter a tradição da troca de doces nesse período sem gastar muito.