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COTIDIANO

Projeto em Laguna quer mudar data de fundação do município e seus fundadores

Proposta que começa a tramitar na Câmara coloca dois freis espanhóis como fundadores de Laguna, em vez de Domingos de Brito Peixoto

Laguna, 23/10/2023 12h50 | Atualizada em 24/10/2023 12h44 | Por: Redação Folha Regional

Laguna pode passar por uma mudança histórica. O que se tinha até então como sacramentado pode deixar de ser a regra caso um projeto de lei, apresentado na última sexta-feira, dia 20, na Câmara, seja acatado pelos vereadores e entre em vigor com a sanção do Executivo.

Até hoje reconhecido como o fundador de Laguna, o bandeirante vicentista Domingos de Brito Peixoto, com direito à estátua em lugar de destaque no Centro Histórico, perderia o posto e passaria a figurar como o “povoador” do município.

Em seu lugar entrariam os freis espanhóis Bernardo de Armenta e Alonso Lebrón, pertencentes à Ordem Franciscana. Além da dupla, o município teria também o navegador português André Afonso Gonçalves, alçado a descobridor da futura Laguna.

O 29 de julho, celebrado como dia da fundação do município, também seria revisto. Ficaria "apenas como homenagem à implantação da República Catarinense, proclamada pela Câmara de Vereadores em 29 de julho de 1839", mas o projeto se equivoca ao dizer que a data é feriado municipal, quando na verdade costuma ser decretado somente ponto facultativo. Pela nova proposta, a data de fundação da cidade de Laguna passaria a ser 1º de dezembro de 1537, a ser comemorado como feriado municipal.

O projeto de lei é do vereador Rodrigo Bento, também professor de história em Laguna. Na justificativa à proposta, ele diz que 29 de julho é, na verdade, a Proclamação da República Catarinense, ocorrida em 1839, e que “esta data foi escolhida por decreto municipal, aleatoriamente, como dia de fundação em virtude de não existirem registros históricos da data correta que aqui chegou o bandeirante Domingos de Brito Peixoto”.

André Afonso Gonçalves, o descobridor

Citando pesquisadores e informações históricas, o vereador alega que Domingos de Brito Peixoto, tido até agora como fundador de Laguna, veio na verdade povoar a então aldeia, “que já existia e era habitada por índios, por náufragos e degredados europeus”.

O projeto considera o navegador português André Afonso Gonçalves como o descobridor do município. Afirma que em 1501, por ordem da Coroa Portuguesa, que havia organizado uma expedição para identificar e tomar posse dos principais acidentes geográficos das terras descobertas por Pedro Alvares Cabral, “o navegador português descobre, denomina e assinala o Cabo de Santa Marta no dia que o catolicismo o consagra à Santa Marta, ou seja, dia 29 de agosto”.

Diz ainda que em 1502 Laguna foi assinalada como Cabo de Santa Marta, passando a constar no mapa-múndi elaborado pelo italiano Alberto Cantino, que havia sido encomendado pelo rei de Portugal, dom Manoel.

A nova data de fundação 

Para alterar a data de fundação, o vereador defende que, “muito antes de Domingos de Brito Peixoto chegar, o local onde hoje se encontra Laguna já era habitado por náufragos europeus e já havia sido sede de missões jesuíticas”. Afirma que a primeira delas foi promovida pelos freis espanhóis Bernardo de Armenta e Alonso Lebrón, pertencentes à Ordem Franciscana, no início de dezembro de 1537, “construindo uma igreja e diversas edificações para catequizarem os índios carijós que residiam no local, então conhecido como Mybiaça”.

Ainda na justificativa à proposta, Rodrigo Bento cita outras cidades como Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga e São Paulo, que, segundo ele, “consideram como data de sua fundação o momento da chegada e instalação de missões evangelizadoras patrocinadas pelos jesuítas e freis da Ordem dos Franciscanos ou da Companhia de Jesus”.

Proposta polêmica 

Foi por meio de uma lei, de 2 de maio de 1975, sancionada pelo então prefeito Francisco de Assis Soares, que 29 de julho foi definido como o dia de Laguna, "em homenagem à sua fundação em 1676 por Domingos de Brito Peixoto".

Em seu blog, o escritor lagunense Valmir Guedes, autor de livros sobre a história do município, criticou a proposta e defendeu a necessidade de "maiores estudos, mesas redondas, seminários com pesquisadores, historiadores, escritores, estudantes e professores", além de "parecer da Fundação Catarinense de Cultura e, principalmente, de historiadores do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina".

"Mudanças dessa magnitude mereceriam, no mínimo, amplas discussões com a sociedade, sobre os contraditórios, sob os diversos pontos de vistas históricos. Afinal, entre historiadores e pesquisadores há muitas divergências e controvérsias históricas. Há variados entendimentos e pontos de vistas", opina Guedes.

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