Força-tarefa no Sul do Estado retirou dezenas de jovens da exploração em frigoríficos e indústrias
Foto: Agência Brasil Santa Catarina registrou um preocupante avanço nos índices de exploração de menores. O estado apontou um aumento significativo nos casos de trabalho infantil e subiu posições no ranking nacional de ocorrências que envolvem crianças e adolescentes na faixa etária dos 5 aos 17 anos.
De acordo com os microdados da Pesquisa PNAD Contínua do IBGE, o território catarinense amargou um salto negativo, passando da 14ª para a 10ª colocação no país em comparação com o levantamento anterior.
Os indicadores acendem um sinal de alerta para os órgãos de proteção e refletem diretamente o aumento no volume de denúncias formais.
No período compreendido entre junho de 2025 e junho de 2026, o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) contabilizou 336 denúncias relacionadas à exploração laboral infantil em todo o estado. Desse total, 179 casos foram formalizados apenas ao longo do ano de 2026.
Para combater o avanço da ilegalidade, as ações de fiscalização foram fortemente intensificadas por meio de operações conjuntas que mobilizam o MPT, a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a Defensoria Pública e demais órgãos que compõem a rede de proteção à infância.
Apenas nos meses de maio e junho deste ano, foram executadas mais de 100 fiscalizações em solo catarinense. As incursões resultaram no afastamento imediato de 66 crianças e adolescentes de atividades laborais irregulares, com maior incidência nos municípios de Joinville, Itajaí, Lages, Chapecó e Criciúma.
O Sul do Estado figurou como um dos pontos centrais das ações mais severas. Uma grande operação deflagrada pelo grupo móvel de fiscalização obteve êxito ao retirar 78 adolescentes de condições análogas às piores formas de trabalho infantil. Os jovens desempenhavam funções consideradas de alto risco em empresas dos setores têxtil e frigorífico localizadas na região de Criciúma.
Além disso, na última semana, o MPT-SC confirmou o flagrante de outras 14 crianças trabalhando de forma irregular nas cidades de Navegantes e Guaramirim. Ao todo, a soma das frentes estaduais e da força-tarefa nacional já conseguiu resgatar 144 menores do trabalho infantil em Santa Catarina este ano.
Como estratégia de enfrentamento a longo prazo, as entidades de proteção têm investido massivamente na capacitação técnica de profissionais que atuam diretamente na ponta dos serviços públicos, sobretudo nas áreas de assistência social, saúde e educação. O objetivo principal é aprimorar os mecanismos de identificação precoce dos sinais de exploração e agilizar o encaminhamento das denúncias aos canais competentes.
Especialistas da área jurídica e social apontam que a expansão dos programas de aprendizagem profissional para jovens continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para o esvaziamento do trabalho infantil legalizado e seguro. Contudo, há um forte gargalo de preenchimento dessas oportunidades. Estatísticas recentes demonstram que, apenas na região da Grande Florianópolis, existem 6.593 vagas de jovem aprendiz abertas em empresas locais que poderiam estar sendo ocupadas por adolescentes de forma protegida, mas que permanecem completamente ociosas por falta de conexão com o público-alvo.
Buscando ampliar o debate e sensibilizar o ambiente familiar e empresarial, o Ministério Público do Trabalho formalizou neste ano a sua adesão à campanha nacional intitulada “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil”.
A iniciativa institucional apropria-se do universo e da linguagem popular do futebol para conscientizar a população sobre os impactos negativos do trabalho precoce no desenvolvimento intelectual e físico. A campanha reforça a importância de assegurar que as crianças e os adolescentes da região permaneçam matriculados regularmente na escola, convivendo em ambiente familiar saudável e totalmente resguardados de qualquer tipo de exploração financeira ou comercial.