Levantamento revela resíduos em mais de 76% dos municípios do Sul catarinense
Foto: Aresc/Divulgação Um estudo encomendado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) acendeu um alerta para o Sul do estado: a região apresenta o maior índice de municípios com resíduos de agrotóxicos na água potável entre todas as regiões catarinenses.
Dos 46 municípios pesquisados do Sul de Santa Catarina, 35 registraram ao menos um tipo de ingrediente ativo na água tratada, o que representa 76,1% do total.
O levantamento foi apresentado ao MPSC na quarta-feira (28) e analisou dados coletados entre 2018 e 2023 em todas as cidades do estado.
De acordo com o estudo, 52% dos municípios catarinenses - 155 dos 295 - apresentaram resíduos de agrotóxicos na água destinada ao consumo humano. Ao todo, foram identificados 42 ingredientes ativos diferentes, sendo que cinco deles têm uso proibido no Brasil.
Apesar disso, o Ministério Público ressalta que os níveis encontrados estão abaixo dos limites estabelecidos pela legislação nacional, o que significa que a água distribuída pela rede pública não é considerada imprópria para consumo.
Quando analisados por região, os dados mostram um cenário mais preocupante no Sul do estado. O índice regional supera o registrado no Oeste (63 de 118 municípios), na Grande Florianópolis (57,1%) e no Vale do Itajaí (44,4%).
No Norte catarinense, 42,3% das cidades apresentaram resíduos, enquanto na Serra o percentual foi de 33,3%. Já no Sul, mais de três em cada quatro municípios tiveram algum tipo de contaminação identificada nas análises.
Entre as cidades catarinenses onde foram detectados agrotóxicos com uso proibido no país está São João do Sul, no Extremo Sul do estado. Além dela, Balneário Camboriú, Rancho Queimado, Canelinha, Itaiópolis, Imbuia e Ituporanga também apresentaram esse tipo de irregularidade.
O estudo aponta que, em alguns municípios, há a presença simultânea de diversos resíduos químicos, o que reforça a preocupação com a exposição prolongada da população.
Segundo o MPSC, embora não haja risco imediato à saúde, a exposição contínua aos agrotóxicos, seja pela água, pelo ar ou pelo solo, pode provocar efeitos cumulativos ao longo do tempo.
Estudos científicos associam o contato crônico com essas substâncias ao aumento do risco de doenças como linfoma não-Hodgkin, câncer de estômago, próstata e tireoide, além de alterações neurológicas e endócrinas.
“Embora contenha resíduos de agrotóxicos, a água distribuída pela rede de abastecimento em Santa Catarina é segura ao consumo e não oferece risco imediato ao consumidor”, afirmou a promotora de Justiça Aline Restel Trennepohl. Ela destaca que os sistemas de tratamento garantem proteção contra diversos contaminantes perigosos.