Espécie criticamente ameaçada de extinção apresentava marcas de rede de pesca e sinais de afogamento
Foto: Divulgação Uma descoberta triste mobilizou pesquisadores do Sul do estado nesta semana. Uma fêmea de toninha (Pontoporia blainvillei), espécie considerada um dos cetáceos mais ameaçados de extinção no Atlântico Sul Ocidental, foi encontrada morta na faixa de areia da Praia de Itapirubá Sul, em Laguna.
O animal foi localizado por técnicos do Laboratório de Zoologia da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e carregava um feto, o que torna a perda ainda mais significativa para a conservação da espécie.
De acordo com as análises preliminares realizadas pela equipe técnica, o animal apresentava marcas externas pelo corpo que sugerem a interação com apetrechos de pesca.
Outro indício forte revelado durante a inspeção inicial foi uma acentuada congestão pulmonar, condição que aponta para uma provável morte por afogamento após o animal ficar preso em redes.
O mamífero, que media 147,5 centímetros e pesava 35,7 quilos, estava em estágio inicial de decomposição e foi encaminhado para necrópsia detalhada, que deve confirmar oficialmente as causas do óbito.
O caso gerou ainda mais comoção entre os biólogos ao ser constatado que a fêmea estava grávida. O filhote, em fase inicial de gestação, media pouco mais de 23 centímetros e pesava 231 gramas. Para os especialistas do Laboratório de Zoologia da Udesc, a ocorrência é um alerta severo sobre a situação crítica enfrentada pelas toninhas na nossa região.
"O caso reforça o estado alarmante de conservação da espécie", destacou a equipe técnica em nota.
Por ser um animal que habita águas costeiras, a toninha é extremamente vulnerável à pesca incidental, o que tem reduzido drasticamente suas populações no litoral catarinense e em todo o Sul do Brasil.