Defesa de Ronaldinho (MDB) rebate com denúncias de vazamento de sigilo e aliciamento de testemunhas
Foto: Divulgação A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apura um estruturado esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Imbituba, indiciando o vereador Ronaldo Gonçalves Júnior (MDB), conhecido como Ronaldinho.
Além do parlamentar, outras cinco pessoas foram indiciadas por crimes que incluem desvio de recursos públicos, fraude em contratos e organização criminosa.
Segundo a investigação, o grupo teria desviado cargas de saibro, adquiridas com verbas da prefeitura, para pavimentar caminhos privados de eleitores em troca de apoio nas urnas, utilizando uma logística que envolvia desde empresários até agentes político-administrativos.
A apuração da PCSC detalha que o esquema operava em duas frentes coordenadas. No núcleo político, o então candidato direcionaria as entregas de materiais para redutos eleitorais específicos, especialmente na reta final da campanha.
Mensagens e áudios analisados pelos investigadores sugerem uma pressão para intensificar a distribuição do saibro sem qualquer controle formal de demanda pública.
Paralelamente, o núcleo empresarial facilitaria a fraude através da emissão de notas fiscais de produtos que nunca eram entregues ao patrimônio público, sendo desviados diretamente para os moradores. O relatório indica que o material, essencial para a manutenção de vias da cidade, servia como "moeda" para garantir os votos que fizeram de Ronaldinho o segundo vereador mais votado do município, com 1.156 votos.
A defesa do vereador Ronaldinho não poupou críticas à condução do inquérito e reagiu com indignação à divulgação do relatório. Em nota oficial, os advogados alegam que o documento circulou em redes sociais antes mesmo de ser anexado ao processo, o que configuraria crime de violação de sigilo.
Os defensores também levantam suspeitas gravíssimas sobre a imparcialidade do processo, citando um possível conflito de interesses: o principal interessado político na vaga de Ronaldinho seria servidor da própria delegacia responsável pelo caso.
"Testemunhas foram aliciadas com ofertas de R$ 40.000,00 para depor contra os acusados", afirma a defesa, destacando ainda que o vereador passou mais de um ano sem ser convocado para depor, sendo necessária a intervenção da Vara Criminal de Imbituba para estipular um prazo final para o delegado concluir as diligências.
Com o inquérito encerrado na esfera policial, a "batata quente" agora está nas mãos do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Caberá aos promotores decidir se oferecem a denúncia formal à Justiça. Caso seja condenado, o vereador, eleito para a legislatura 2025–2028, poderá enfrentar desde a perda do mandato até sanções penais.
A defesa, por sua vez, afirma estar confiante e celebra o fato de o caso sair da esfera policial para o terreno do Judiciário, onde prometem provar que o inquérito foi construído sob "narrativas sob medida".