Assembleia removeu Zé Martins por falta de prestação de contas; em resposta, ex-dirigente cita intimidação e contesta legalidade da reunião
Foto: Clube Atlético Tubarão Em uma noite de forte tensão, José Martins Ribeiro, conhecido como Zé Martins, foi destituído do cargo de presidente associativo do Clube Atlético Tubarão. A decisão foi tomada na noite desta quinta-feira (21) durante uma Assembleia Geral extraordinária realizada no refeitório do Estádio Domingos Silveira Gonzalez.
Com a queda do mandatário, o vice-presidente Francisco Prudêncio Martins Neto, o Chicão, foi empossado como o novo presidente da associação.
A reunião que selou o futuro político do clube começou a movimentar a Vila a partir das 18h de quinta-feira (21). Enquanto o martelo era batido a portas fechadas no refeitório, apenas com a presença dos conselheiros do clube, alguns torcedores acompanhavam a movimentação do lado de fora. O encontro contou com a assessoria técnica do advogado Eduardo Luz, integrante do departamento jurídico do Tubarão.
Somente após a consolidação dos votos dos conselheiros e a confirmação da destituição de Zé Martins é que a entrada dos torcedores foi liberada. No local, Juliano Mendes, dono da SAF do Tubarão, e Nasareno Silva, diretor de futebol e figura conhecida no clube, conversaram com os presentes para detalhar os próximos passos.
Antes mesmo do início da assembleia, Zé Martins havia emitido um ofício institucional com teor preventivo, datado de 20 de maio, contestando duramente a legalidade do edital de convocação nº 002/2026.
No documento assinado junto ao consultor desportivo Richard da Silveira Dias, o agora ex-presidente sustentou que o ato foi promovido genericamente por "diretores", sem clareza sobre a competência estatutária, quórum qualificado ou garantia prévia de ampla defesa.
No ofício, Zé Martins se defendeu da acusação de irregularidades financeiras, argumentando que a elaboração e a apresentação de balancetes e balanços ao Conselho Fiscal constituem uma obrigação exclusiva do cargo de Tesoureiro da entidade. Nesse trecho, ele apontou nominalmente os responsáveis pelos respectivos exercícios fiscais registrados em cartório: o próprio vice Chicão, o investidor Juliano Mendes Morais e Rafael Campos Alves.
O dirigente destituído alertou que qualquer deliberação tomada na reunião de quinta-feira está passível de intervenção do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e poderá ser judicialmente anulada por desobediência aos ritos estatutários.
O racha institucional ganhou contornos ainda mais graves com a publicação de uma nota oficial emitida pelo Clube Atlético Tubarão SAF. A sociedade anônima fez questão de se distanciar do imbróglio, reforçando que não possui qualquer vínculo ou responsabilidade sobre a assembleia do órgão associativo, responsável por fiscalizar a gestão de Zé Martins.
Contudo, a SAF trouxe a público denúncias contundentes sobre o comportamento do ex-presidente. De acordo com o comunicado, Zé Martins vinha adotando condutas de intimidação contra o sócio majoritário da SAF, Juliano Mendes, incluindo ameaças de vazamento de áudios privados envolvendo terceiros em situações que a empresa afirma já terem sido resolvidas.
A nota vai além e acusa o ex-dirigente de manter uma postura hostil de longa data:
"É importante destacar que, desde 2025, o Sr. José Martins Ribeiro vem mantendo atitudes intimidadoras semelhantes às mencionadas, incluindo ameaças físicas por meio de terceiros. Inclusive, ele já foi formalmente notificado sobre a inadequação de seu comportamento, sem que tais condutas tenham cessado."
Ainda na nota, a diretoria da SAF lamentou o tumulto gerado nos bastidores, classificando o episódio como um fator de distração que prejudica os atletas e a comissão técnica. A empresa garantiu que segue com atuação estritamente profissional e com foco total na preparação do elenco para a disputa e busca pelo título do Campeonato Catarinense da Série B.