Juiz de Fora registra o fevereiro mais chuvoso de sua história e decreta estado de calamidade pública
Foto: G1/Reprodução A Zona da Mata de Minas Gerais enfrenta um cenário devastador após as fortes chuvas que atingiram a região entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada desta terça-feira (24).
Até o momento, as autoridades confirmaram 25 mortes e buscam por pelo menos 45 desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá. Centenas de pessoas estão desabrigadas, e municípios decretaram estado de calamidade pública.
Em Juiz de Fora, a situação é crítica. A cidade registrou 584 milímetros de chuva acumulados neste mês - o dobro do esperado para todo o período de fevereiro. O relevo acidentado da região agravou os deslizamentos de encostas e soterramentos.
Vítimas: 18 mortes confirmadas e 41 desaparecidos.
Desabrigados: 440 pessoas precisaram deixar seus lares; 600 famílias estão em áreas de risco.
Bairros críticos: No Parque Burnier, 12 casas desabaram e há buscas por 20 desaparecidos, incluindo crianças. No Bairro Cerâmica, equipes trabalham para resgatar uma família de cinco pessoas soterradas.
Infraestrutura: O Rio Paraibuna transbordou, inundando pontes e o mergulhão central. As aulas na rede municipal foram suspensas e a prefeita Margarida Salomão decretou luto oficial de três dias e estado de calamidade.
O município de Ubá registrou a maior inundação dos últimos anos após o transbordamento do Ribeirão Ubá. Foram 124 milímetros de chuva em apenas seis horas, transformando a Avenida Beira Rio em um canal de destruição.
Vítimas: 7 mortes confirmadas e quatro desaparecidos.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram caixões de uma funerária sendo arrastados pela enxurrada no Centro da cidade.
A tragédia gerou repercussão imediata nos governos estadual e federal. O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial em todo o estado de Minas Gerais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou solidariedade às vítimas e garantiu apoio nas buscas.
O Ministério da Defesa enviou tropas do Exército para Juiz de Fora para auxiliar na limpeza e desobstrução de vias, remoção de escombros e busca por sobreviventes com cães farejadores e na organização de abrigos temporários e logística humanitária com helicópteros.
Em Matias Barbosa, o estado de calamidade também foi decretado para agilizar o repasse de verbas federais e o atendimento às famílias atingidas pelas enchentes.