O suspeito de mantê-las presas era o próprio marido e pai das vítimas
Uma mulher e dois jovens - mantidos em cárcere privado há 17 anos - foram libertados ontem, dia 28, por policiais em uma casa na zona oeste do Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Militar (PM), os três foram encontrados amarrados em sua casa no bairro de Guaratiba. O caso ganhou repercussão nacional.
Os policiais foram ao local após receber uma denúncia anônima. As vítimas estavam sujas e subnutridas, de acordo com a PM, e foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O suspeito de mantê-las presas era o próprio marido e pai das vítimas. Ele foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia de Guaratiba (43ª DP). Os nomes dos quatro não foram divulgados.
Em entrevista para o Jornal O Globo, o capitão William Oliveira, chefe do setor operacional do 27º BPM (Santa Cruz), afirmou que a situação do imóvel era precária.
"A situação foge da realidade. Difícil de compreender. Quando a guarnição entrou na casa, encontrou dois jovens amarrados pelos pés e sujos. Havia até fezes no local. Inicialmente, pensávamos que eram crianças, tal era o nível de desnutrição da moça e do rapaz", descreveu. Segundo o capitão informou ao veículo, a mãe do casal de jovens também era mantida presa dentro de casa. O marido dela e pai das vítimas afirmou aos PMs que não fez nada errado.
"Ele nos disse que os filhos eram doentes mentais e precisavam estar presos. Quando conversamos com a senhora, ela nos disse que ela e os filhos não saiam de casa há 17 anos. Provavelmente, eles viviam sendo agredidos, mas isso será a Polícia Civil quem irá constatar. O ambiente da casa é um horror. Um imóvel simples, quase sem móveis, sujo e com mau cheiro. A gente que já pensa que viu de tudo nessa vida, nunca imagina que haja algo tão assustador!", disse o capitão ao O Globo.