Quando o assunto é patrimônio, a forma como ele é gerido ao longo do tempo faz tanta diferença quanto o quanto se ganha. Ainda assim, muitos investidores concentram todas as decisões financeiras em bancos comerciais, acreditando que isso, por si só, garante um bom acompanhamento. Na prática, essa escolha pode custar caro.
O modelo do banco comercial é baseado em escala e padronização. O gerente atende dezenas — às vezes centenas — de clientes e trabalha com um portfólio limitado de produtos, geralmente aqueles que fazem mais sentido para a instituição, e não necessariamente para o investidor. Isso não significa má-fé, mas sim conflito de interesses estrutural: quem distribui o produto também é quem define as metas de venda.
Já o profissional de investimentos atua de forma consultiva e personalizada, olhando o patrimônio como um todo. Ele considera objetivos de curto, médio e longo prazo, perfil de risco, fluxo de renda, planejamento tributário, sucessão patrimonial e diversificação entre diferentes classes de ativos — no Brasil e, quando faz sentido, no exterior.
Outro ponto fundamental é o acompanhamento ativo. O mercado muda, a legislação muda, e a vida do investidor também. Um bom assessor revisa estratégias, ajusta alocações e antecipa riscos, em vez de apenas reagir a eles. Mais do que indicar produtos, ele ajuda a tomar decisões, evitando erros comuns como excesso de concentração, baixa diversificação ou escolhas motivadas por emoção.
No longo prazo, essa abordagem faz diferença não apenas na rentabilidade, mas na eficiência do patrimônio: menos impostos desnecessários, melhor gestão de riscos e maior clareza sobre onde se quer chegar.
Cuidar do patrimônio vai além de escolher aplicações. É sobre ter estratégia, alinhamento e alguém que atue do seu lado — e não apenas vendendo o que está disponível no balcão.

Investimentos
Sócio da WISER Investimentos (BTG Pactual). Engenheiro e especialista em sucessão e gestão patrimonial, assessora famílias e empresas na diversificação de ativos no Brasil e nos EUA