O cenário econômico influencia diretamente os resultados dos investimentos. Dois indicadores fundamentais são a inflação e a taxa de juros. A inflação indica o aumento geral de preços na economia; quando ela cresce, o poder de compra diminui, e os investimentos precisam render mais para não perder valor. No Brasil, a inflação é medida pelo IPCA, que acompanha a variação de preços mensalmente. Para 2025, a meta de inflação é de 4,72%, mas até agora já acumulamos 3,59% no ano, mostrando que o efeito sobre o poder de compra já é relevante e dificilmente será alcançado até dezembro.
Investimentos em renda fixa, como títulos públicos, CDBs, LCIs e LCAs, tendem a se beneficiar de juros mais altos, enquanto ativos de renda variável, como ações e fundos imobiliários, podem sofrer maior volatilidade. A taxa Selic, definida pelo Copom nas reuniões periódicas, está atualmente em 15%, nível considerado elevado, o que aumenta o rendimento da renda fixa e torna alguns investimentos em renda variável menos atrativos no curto prazo. Curiosamente, quando a Selic sobe, não só a renda fixa se torna mais atraente, mas também o crédito no país fica mais caro, reduzindo o consumo e ajudando a controlar a inflação.
Novos empreendimentos
No fim do dia, o empresário muitas vezes prefere aplicar o dinheiro a 15% ao ano (aproximadamente 1,25% ao mês), com risco praticamente nulo, em vez de investir na própria empresa, onde os riscos são maiores e a lucratividade pode ser menor. Isso mostra como juros altos desestimulam novos empreendimentos.
Juros e inflação estão interligados: quando a inflação sobe, o Banco Central pode aumentar a Selic para conter o aumento de preços, afetando o custo do crédito e o consumo. Por outro lado, juros elevados tornam investimentos conservadores mais atraentes, mas podem pressionar a valorização de ações e fundos imobiliários, refletindo diretamente nos resultados dos investidores.
Compreender a dinâmica entre inflação e juros permite interpretar melhor as decisões do Banco Central, antecipar impactos no mercado financeiro e ajustar sua estratégia de investimentos de forma mais consciente, equilibrando segurança e oportunidade ao longo do tempo.

Investimentos
Sócio da WISER Investimentos (BTG Pactual). Engenheiro e especialista em sucessão e gestão patrimonial, assessora famílias e empresas na diversificação de ativos no Brasil e nos EUA