Tem uma coisa curiosa acontecendo com a nossa geração: a gente desaprendeu a ficar entediado.
Qualquer fila vira Instagram. Qualquer espera vira WhatsApp. Qualquer minuto livre vira vídeo curto. Parece que existe uma urgência permanente de preencher todos os espaços vazios do dia.
Mas e se eu disser que o tédio não é um problema? E se ele for justamente uma das coisas que mais estamos precisando?
Quando a mente não está ocupada consumindo informação o tempo todo, ela começa a fazer conexões. É naquele banho demorado, naquela caminhada sem fone, naquela viagem olhando pela janela que surgem ideias, soluções e reflexões que não apareceriam no meio de uma avalanche de notificações.
O tédio funciona como uma espécie de academia da criatividade. Ele obriga o cérebro a procurar caminhos próprios em vez de apenas reagir ao que está sendo entregue na tela.
Não é à toa que muitas das melhores ideias surgem nos momentos em que aparentemente não estamos fazendo nada.
O problema é que criamos uma relação quase de medo com o vazio. Se sobra um minuto, corremos para preenchê-lo. Se existe silêncio, ligamos alguma coisa. Se há espera, buscamos distração.
Talvez estejamos tão acostumados ao excesso de estímulos que esquecemos que pensar também exige espaço.
E não estou falando de abandonar a tecnologia ou viver desconectado. Estou falando de recuperar pequenas pausas.
Experiências simples podem ajudar
• Fazer uma caminhada de 15 minutos sem celular.
• Esperar numa fila sem pegar o telefone.
• Tomar banho sem música, podcast ou vídeo.
• Reservar alguns minutos do dia apenas para observar e pensar.
• Deixar um bloco de notas por perto para registrar as ideias que surgirem.
Parece pouco. Mas é justamente nesse pouco que mora algo valioso.
Vivemos uma época que vende produtividade, velocidade e atenção constante. O tédio, por outro lado, não produz resultados imediatos. Ele exige paciência. E talvez por isso seja tão subestimado.
Mas quem sabe a próxima grande ideia, a solução para um problema antigo ou simplesmente uma compreensão mais profunda sobre si mesmo não esteja escondida justamente naquele momento que você está tentando evitar?
Talvez o tédio não seja o vazio que precisamos preencher, e sim o espaço onde as melhores ideias começam.

Investimento e desenvolvimento
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