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COLUNISTAS

O alimento que não abraça dói

12/05/2026 21h43 | Atualizada em 12/05/2026 21h43 | Por: Marcos Madeira

Você já parou para observar como a dinâmica das nossas casas mudou nos últimos anos? E as mudanças que me refiro são comportamentais e preocupantes! Santa Catarina registrou cerca de 900 internações psiquiátricas de menores em meio ao avanço do chamado “burnout digital”. O dado, reforçado pelo CRP-SC, revela que uma em cada cinco crianças enfrenta sofrimento emocional.

Crianças e adolescentes tristes, sem limites, movidos pela oferta “digital fácil”, cada dia com maior dificuldade para se socializar. As respostas para esse fenômeno são inúmeras. Mas, uma delas em especial me chama a atenção, um experimento clássico da psicologia que, embora antigo, nunca foi tão atual. Nos anos 50, o psicólogo Harry Harlow chocou o mundo ao estudar o vínculo entre mães e filhos usando macacos. Ele ofereceu aos filhotes duas “mães” artificiais: uma mãe de arame, fria e rígida, mas que segurava uma mamadeira, a outra mãe de pano, macia e acolhedora, mas sem alimento.

Na época, acreditava-se que o amor era apenas interesse pela comida, mas não! Harlow provou o contrário: os macaquinhos passavam quase o dia todo agarrados ao pano, buscando o arame apenas para se alimentar e correndo de volta para o aconchego. O que Harlow chamou de “conforto do contato” é o que está faltando hoje. Ao olharmos para a nossa realidade, estamos exaustos e inconscientemente agindo como a “mãe de arame”. Garantimos o sustento, a escola e o alimento, mas entregamos o celular para suprir o silêncio. 

O problema é que o celular é o arame do século XXI: ele entrega o estímulo, mas é frio, rígido e incapaz de oferecer o suporte emocional que uma criança precisa quando está assustada ou perdida. O excesso de telas e a falta de limites geram um isolamento perigoso. O burnout digital na juventude pode ser o grito de socorro de um cérebro que recebe informações demais, mas afeto de menos.

Quando substituímos a convivência familiar, o olho no olho e os ensinamentos práticos pela passividade do algoritmo, estamos privando nossos filhos do “pano”, do calor que amadurece o emocional. Precisamos entender que dar “coisas” não substitui o “estar presente”. Os macacos de Harlow que cresceram sem o contato real tornaram-se adultos com sérias dificuldades de interação. 

Não podemos deixar que o isolamento provocado pela tecnologia molde o futuro da nossa geração. Convido você a refletir: como está o equilíbrio na sua casa? Menos Wi-Fi e mais abraços, menos telas e mais limites. No fim das contas, o que cura e desenvolve um ser humano não é o que ele consome, mas quem o acolhe.

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