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COLUNISTAS

Os desafios de uma sociedade em adoecimento emocional

07/04/2026 22h18 | Atualizada em 07/04/2026 22h18 | Por: Marcos Madeira

Neste mês de abril, celebramos 25 anos da Lei Paulo Delgado (lei 10.216), que representa um marco histórico da Reforma Psiquiátrica brasileira. A partir dessa data, o país escolheu o caminho da dignidade, substituindo o horror dos manicômios e o isolamento pelo tratamento em liberdade. Saímos dos muros altos e fomos para os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), residências terapêuticas e para o convívio comunitário. 

Mas, ao olharmos para o retrovisor, percebemos que, embora tenhamos derrubado as grades de ferro, novas “prisões invisíveis” surgiram no tecido da nossa sociedade.

Hoje, o desafio da saúde mental transbordou os consultórios. Vivemos o fenômeno do adoecimento coletivo. Basta observar o trânsito: buzinadas agressivas e brigas por motivos banais revelam um pavio curto generalizado. Vivemos na era da “correria” institucionalizada, em que estar ocupado é sinal de status e descansar gera culpa. A ansiedade deixou de ser um sintoma isolado para se tornar o filtro pelo qual enxergamos o mundo.

Nessa dinâmica, a bolha digital desempenha um papel cruel. As redes sociais vendem vidas impecáveis, enquanto o algoritmo nos mantém presos a telas que aceleram nossos pensamentos e fragmentam nossa atenção. Naturalizamos o cansaço extremo, o sono ruim e a irritabilidade como “coisas da vida moderna”. O problema é que, em uma sociedade que corre sem saber para onde, o indivíduo dificilmente conseguirá manter sua saúde emocional em dia.

Os CAPS e a rede pública são fundamentais e salvam vidas diariamente, mas eles não podem ser os únicos responsáveis por uma “cura” que é, em grande parte, social. Precisamos de um olhar especial sobre como estamos vivendo. Saúde mental não é apenas ausência de transtorno diagnosticado; é ter tempo para o ócio, é segurança nas ruas, é o fim da cultura do imediatismo e a desconexão consciente do digital.

O fim dos manicômios foi uma vitória política e humana gigantesca. Agora, a nova reforma precisa acontecer no nosso estilo de vida. Precisamos humanizar as cidades, desacelerar as expectativas e entender que uma sociedade doente jamais produzirá indivíduos plenamente saudáveis. Que os próximos 25 anos sejam dedicados a construir não apenas serviços de saúde, mas uma cultura de paz e presença que nos permita, finalmente, respirar com calma.

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