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COTIDIANO

[VÍDEO] Presidente da Câmara anuncia transição de um ano para o fim da escala 6×1

Proposta prevê redução gradual da jornada para 40 horas semanais sem corte de salários

Brasília, 25/05/2026 18h01 | Por: Redação Folha Regional
Foto: Agência Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta segunda-feira (25) os detalhes finais do projeto de lei que propõe a extinção da jornada de trabalho no modelo 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). 

O texto, que vinha sendo costurado em conjunto com o Governo Federal dentro de uma comissão especial, estabelece um prazo de transição considerado curto, contrariando a pressão de entidades empresariais e de parlamentares da bancada de Santa Catarina.

O avanço da pauta é acompanhado de perto por lideranças do comércio, do setor de serviços e da indústria nos municípios da Amurel, uma vez que a medida altera diretamente as relações trabalhistas e o planejamento de escala das empresas locais.

Como funcionará a regra de transição

De acordo com o cronograma detalhado por Motta, a transição para o novo modelo de trabalho ocorrerá em duas etapas consecutivas, logo após a futura e eventual aprovação do texto definitivo pelo Senado Federal:

Em 60 dias: a jornada máxima permitida por lei cairá das atuais 44 horas semanais para 42 horas.

Em um ano: o limite passará para 40 horas semanais, consolidando o encerramento definitivo da escala 6×1.

O presidente da Câmara assegurou que as premissas básicas do movimento social que deu origem à proposta foram blindadas no relatório final. 

Com isso, fica garantido por lei que o trabalhador passará a ter direito a pelo menos dois dias de descanso semanal e que a mudança de carga horária não poderá resultar em nenhuma redução salarial.

Alívio para microempreendedores e novos funcionários

Para tentar mitigar o impacto financeiro e operacional sobre os pequenos negócios, o projeto de lei deve incluir uma flexibilização importante na legislação que rege os Microempreendedores Individuais (MEIs).

Atualmente, a lei federal permite que um MEI mantenha apenas um funcionário registrado. Para suprir a necessidade de mão de obra gerada pela nova folga dos trabalhadores, a proposta em discussão abrirá uma exceção, permitindo que os microempreendedores contratem mais funcionários para cobrir os turnos livres.

Bancada de SC defendia prazo maior; votação ocorre nesta semana

O anúncio da transição de apenas um ano representa uma vitória política para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que articulou diretamente o acordo com a cúpula da Câmara. O modelo adotado frustrou os planos de setores patronais e de deputados de oposição - inclusive com assinaturas de representantes catarinenses -, que tentavam emplacar emendas para esticar o prazo de transição por até 10 anos.

O rito de votação deve ganhar regime de urgência nos próximos dias. A expectativa de Hugo Motta é que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que serve de base para o fim da escala 6×1 seja votada na comissão especial e levada ao plenário da Câmara dos Deputados entre quarta (27) e quinta-feira (28).

Se receber o aval da maioria dos deputados, a matéria segue para o Senado. O projeto de lei complementar enviado pelo Executivo ficará guardado para um segundo momento, servindo para regulamentar as exceções e setores com particularidades que necessitem de regras específicas.

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