Gestor e primeira Andressa Pera (MDB) foram processados por ataques a munícipe; ela gravou vídeo cobrando 'respeito à família' após prisão do marido
Foto: Jornal Razão/Reprodução A recente prisão preventiva do prefeito de Balneário Piçarras, Tiago Maciel Baltt (MDB), trouxe à tona uma condenação judicial por danos morais que expõe uma contradição envolvendo o chefe do Executivo e a primeira-dama, Andressa Pera (MDB).
O casal foi punido pela Justiça catarinense após se deslocar até a frente da casa de um morador, poucas horas após a confirmação da vitória nas urnas em outubro de 2024, com o objetivo de proferir ofensas graves e palavrões contra o cidadão e sua mãe, uma idosa de 65 anos. O episódio ganhou repercussão após Andressa - que mantém sua pré-candidatura a deputada estadual - publicar um vídeo cobrando "respeito" e "cuidado com julgamentos precipitados" devido à prisão do marido.
Conforme a decisão assinada pelo juiz Eduardo Bonnassis Burg, da 1ª Vara da Comarca de Balneário Piçarras, o prefeito e a primeira-dama terão de pagar uma indenização de R$ 4 mil por danos morais ao munícipe Jairo Claudio da Silva.
Imagens das câmeras de segurança da residência da vítima, validadas pelo magistrado como prova irrefutável, mostram que o veículo do casal passou pela rua e retornou em marcha-ré para iniciar o confronto. Em tom de exaltação, Tiago e Andressa gritaram insultos em alto e bom som, expondo a vítima diante de vizinhos e de sua mãe idosa.
A perseguição continuou no dia seguinte, quando o prefeito realizou uma ligação telefônica para o morador repetindo as ameaças e afirmando que voltaria à propriedade - fato comprovado por registros telefônicos e aceito no processo.
Em entrevista anterior, o prefeito admitiu que estava na direção do carro com a esposa ao lado e minimizou o ataque, alegando que os xingamentos ocorreram no calor da comemoração eleitoral, revelando ainda que suas duas filhas menores estavam no banco de trás do veículo durante a ação.
Na sentença, o magistrado enfatizou que Tiago e Andressa ocupavam funções públicas de relevância, o que lhes impunha o dever de agir com maior temperança e prudência.
A questão ganhou novos contornos após o prefeito ser detido pelo Gaeco e pelo Geac, braços do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), durante a Operação Regalo, que investiga crimes de organização criminosa, corrupção e fraude em licitações nas obras da Orla Norte da cidade.
Baltt foi preso em Brasília, onde participava da Marcha dos Prefeitos, e transferido para o Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí.
Logo após a prisão do marido, a primeira-dama e pré-candidata à Assembleia Legislativa gravou um pronunciamento em tom emotivo, pedindo discrição e alegando a necessidade de "preservar a família e as duas filhas".
No mesmo vídeo, Andressa assegurou que o escândalo de corrupção não vai interromper seus planos políticos e que manterá sua candidatura ao parlamento estadual pelo MDB. A defesa do prefeito limitou-se a declarar que confia na elucidação da verdade.