Caso registrado nesta semana ganhou repercussão na internet; animal estava totalmente imobilizado no meio do leito do rio
Foto: Reprodução O fotógrafo de natureza Angelo Coelho transformou o que seria um fim trágico em uma emocionante história de sobrevivência ao salvar um biguá - uma ave aquática nativa - que estava totalmente presa a uma rede de pesca no Rio Santa Luzia, em Tijucas.
O pássaro lutava desesperadamente contra o cansaço no meio do leito, com o corpo envolvido em fios de náilon e apenas o bico apontado para fora d’água para conseguir respirar.
Angelo, que se dedica ao registro da fauna e da vida selvagem na região, navegava pelo rio em um pequeno bote a remo quando avistou a movimentação atípica à distância. A escolha por uma embarcação sem motor foi crucial para o sucesso da ação, pois permitiu que o fotógrafo se aproximasse de forma lenta e silenciosa, evitando assustar ou estressar ainda mais o animal, que já se encontrava em estado avançado de debilidade.
De dentro do bote, agindo com cautela para não ferir a estrutura óssea do biguá, o profissional iniciou o processo de remoção dos fios. Com paciência, ele foi cortando e desenredando as linhas de pesca que sufocavam o pescoço e mantinham as asas e o corpo da ave completamente imobilizados.
Toda a operação de salvamento e o momento em que o biguá é devolvido à água foram filmados pelo próprio fotógrafo. Livre da armadilha que fatalmente o levaria à morte por exaustão ou afogamento, o animal nadou rapidamente de volta para a segurança do rio.
Ao compartilhar o vídeo em suas redes sociais, Angelo Coelho celebrou o desfecho positivo. “Hoje foi dia de dar uma segunda chance à vida”, escreveu. A publicação rapidamente viralizou e atraiu uma enxurrada de comentários de moradores e seguidores, que elogiaram a postura cidadã e o cuidado demonstrado com o meio-ambiente.
O episódio acendeu um alerta antigo de ambientalistas e biólogos que monitoram as bacias hidrográficas do estado sobre os perigos do descarte incorreto de materiais de pesca. Os biguás são aves aquáticas muito comuns no litoral e nos rios catarinenses, conhecidas pela alta habilidade de mergulhar para capturar peixes.
Justamente por essa característica de caça subaquática, a espécie fica extremamente vulnerável a redes abandonadas, armadas ilegalmente ou mal sinalizadas - estruturas conhecidas na biologia como "redes fantasmas".