Registro raro foi feito nesta segunda; especialistas do Projeto Baleia Franca explicam que o movimento é um método de alimentação
Foto: Reprodução A temporada das gigantes do mar começou com um registro impressionante e que gerou grande repercussão nas redes sociais no Sul catarinense. Na última segunda-feira (22), uma baleia franca foi flagrada realizando um movimento incomum: ela nadou com a boca totalmente aberta na superfície, em um gesto que se assemelha muito a um bocejo.
O flagrante foi capturado pelo perfil Garopadroni e mostra o imenso cetáceo engolindo uma grande quantidade de água do mar.
O município de Garopaba integra a chamada Rota da Baleia Franca, um corredor ecológico e turístico que engloba também as cidades de Imbituba e Laguna. A região Sul de Santa Catarina converte-se, historicamente, no principal berçário da espécie no Brasil durante a temporada reprodutiva, período que se estende de julho a novembro, quando os animais migram em busca de águas mais quentes e abrigadas para dar à luz e amamentar seus filhotes.
Embora o movimento pareça um bocejo ou uma brincadeira aos olhos dos leigos, pesquisadores do Projeto Baleia Franca esclareceram que a cena retrata, na verdade, uma técnica de sobrevivência. Nadar com a boca aberta é a estratégia que o animal utiliza para buscar e capturar alimentos na superfície marinha.
De acordo com o órgão ambiental, o processo funciona de forma muito parecida com o arrasto superficial de uma rede de pesca. A baleia avança mantendo a boca aberta e permite que a água flua livremente por entre as suas cerdas expostas (as chamadas barbas). Essas estruturas funcionam como um filtro natural retendo os pequenos organismos aquáticos enquanto a água é expelida para fora.
O foco da caça das baleias francas são os copépodos, uma subclasse de microcrustáceos que serve de base para a sua dieta. Os especialistas ressaltam que, embora o registro tenha sido feito em águas catarinenses, esse comportamento de alimentação não é a regra por aqui, ocorrendo majoritariamente durante os meses de verão nas águas geladas próximas à Convergência Antártica. A detecção desse hábito no ecossistema local confere um caráter ainda mais raro ao vídeo gravado na região.