Conhecido com um dos botos pescadores mais antigos da região, Scooby foi visto auxiliando pescadores com fragmentos da rede em seu dorso
Lab Zoo/Divulgação/Folha Regional A Secretaria de Pesca e Agricultura, a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros de Laguna, mobilizaram uma ação de monitoramento dos movimentos do boto pescador, popularmente conhecido como Scooby, após denúncias de que ele estava com uma rede de pesca enrolada no dorso.
O animal é um dos mais antigos da região e, segundo pescadores, ele deve ter cerca de 35 anos e auxilia diariamente na pesca artesanal.
Na terça-feira, dia 30, o secretário de Pesca e Agricultura e biólogo, Rinaldo Oriano Junior, esteve à procura do boto junto com as outras instituições e pescadores para verificarem a situação e a possibilidade de intervirem e removerem as redes. O boto foi avistado nas proximidades do bairro Portinho, porém, não permitiu a aproximação.
De acordo com pescadores locais, o boto trabalhou durante o início da tarde, cercando os cardumes de peixe. Nesta quarta, dia 31, e quinta-feira, dia 1º, ele foi visto novamente interagindo com os pescadores no canal da Barra. “Conversamos com os pesquisadores da Udesc e de outros órgãos e analisaram que intervir com a retirada da rede poderia ser prejudicial, em função dele já ter idade avançada e ser mais pesado. Ele foi visto já com menos pedaços de rede no dorso e seguimos monitorando”, explica o secretário.
A rede enrolada no animal comoveu os próprios pescadores, que se organizam para fiscalizar entre eles o uso de rede ilegal para evitar esse tipo de incidente entre os animais.
A Sepagri pede que a população fique atenta ao boto e compartilhe informações da sua localização e estado de saúde, entrando em contato com os Bombeiros, Polícia Ambiental, PMP ou até mesmo a Sepagri através do 3644-0013.
Botos Pescadores
Laguna possui o título de Capital Nacional dos Botos Pescadores, devido à população local de aproximadamente 50 botos, também conhecido como Boto da Tainha ou Nariz de Garrafa.
Cerca da metade da população local de Botos Pescadores, entorno de 25, caracterizada por ser extremamente residente, possui um comportamento peculiar por realizar a pesca cooperativa com os pescadores artesanais da região. Os cetáceos circulam no canal da barra em busca de peixes para se alimentar, principalmente a tainha, e costumam cercar os cardumes, conduzindo-os na direção dos pescadores, que após um sinal dado pelo animal, jogam suas tarrafas. Os peixes que sobram são presas fáceis para os botos se alimentarem. Ambos se beneficiam desta cooperação, o boto e o pescador.
A pesca com auxílio dos Botos recebeu recentemente o certificado de registro de patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina. O cetáceo já é patrimônio do município, entretanto, a cultura que o envolve não era.
Foi sancionado este ano o projeto de lei Nº 033/18, do poder executivo, que dispõe sobre a proteção da população de Tursiops Truncatus (Boto Pescador), através da proibição de tipos de artes de pesca consideradas nocivas a espécie.