Publicação apagada gerou críticas de movimentos sociais, que destacaram o caráter racista da prática
Foto: Reprodução A repercussão de um vídeo em que a comerciante e influenciadora de Laguna, Sibele Neves, aparece com o rosto pintado de preto tomou conta das redes sociais nesta sexta-feira (28). A gravação, apagada pouco depois de ser publicada, viralizou em grupos de mensagens e gerou críticas por ser associada à prática de blackface.
Com mais de 148 mil seguidores no Instagram, Sibele divulgou posteriormente um pedido de desculpas. O vídeo foi apontado como ofensivo por reforçar estereótipos negativos sobre pessoas negras, já que o blackface carrega forte conotação histórica ligada ao racismo.
Movimentos afro da cidade e a Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT) emitiram notas de repúdio. A ala jovem do partido afirmou “repudiar veementemente qualquer forma de racismo, inclusive quando tentam mascará-lo de ‘humor’ ou ‘marketing’”, lembrando que o blackface é marcado pela violência simbólica e pela desumanização.
O grupo também ressaltou que a prática não deve ser normalizada e que o combate ao racismo precisa ser público e responsável.
Historicamente, o blackface surgiu em espetáculos dos Estados Unidos no século XIX, quando artistas brancos pintavam o rosto de preto para interpretar personagens caricatos e depreciativos.
Diante da repercussão, Sibele publicou nota reconhecendo o erro. Ela classificou o caso como um “ato falho” e afirmou não ter tido intenção de ofender. “Peço desculpas se por completa ignorância e desconhecimento da causa magoei alguém. De maneira nenhuma foi a minha intenção”, escreveu. A influenciadora disse ainda que manterá suas redes como espaço para aprendizado e reconheceu que pintar o rosto de preto é uma atitude pejorativa.