Governo Federal deve anunciar o "Desenrola 2.0" ainda nesta semana, com expectativa de descontos de até 90%
Foto: Agência Brasil Uma nova oportunidade para limpar o nome e reorganizar as finanças deve ser anunciada oficialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias.
O programa Desenrola 2.0, que traz como principal novidade a possibilidade de utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos, está em fase final de ajustes.
A confirmação veio nesta segunda-feira (27) pelo ministro substituto da Fazenda, Dario Durigan, após uma série de reuniões com as principais lideranças do setor bancário em São Paulo.
O uso do fundo, no entanto, terá regras específicas. De acordo com o Ministério da Fazenda, haverá um limite para a utilização do saldo do FGTS, funcionando como uma garantia vinculada diretamente ao pagamento das dívidas dentro do programa.
A ideia é que o trabalhador possa usar um percentual do seu saque para abater o valor devido, garantindo que o recurso seja destinado exclusivamente à recuperação do crédito das famílias brasileiras.
O foco central desta nova etapa do Desenrola são as modalidades de crédito que mais pesam no bolso do consumidor: o cartão de crédito, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e o cheque especial.
Atualmente, as taxas de juros nesses segmentos variam entre 6% e 10% ao mês, o que cria um efeito "bola de neve" nas contas domésticas. O ministro exemplificou que uma dívida de R$ 10 mil pode saltar rapidamente para R$ 11 mil em apenas um mês, tornando o ciclo de pagamento quase impossível para quem recebe um salário médio.
Para viabilizar o programa, o governo concluiu conversas com instituições como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, BTG Pactual, Nubank e Citibank.
A contrapartida exigida aos bancos é a aplicação de taxas de juros significativamente menores e a oferta de descontos agressivos, que podem chegar a 90% do valor total da dívida.
Além disso, o programa contará com o aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO), assegurando que as renegociações tenham lastro financeiro suficiente para atender todos os interessados.
Apesar do entusiasmo com o novo formato, a equipe econômica reforça que o Desenrola 2.0 não deve ser visto como um benefício recorrente ou um "Refis periódico".
O governo classifica o momento atual como uma situação excepcional, influenciada por impactos econômicos globais que fugiram ao controle das famílias. Por isso, a orientação é que os consumidores aproveitem a oportunidade pontual para regularizar sua situação.
A expectativa é que a medida alcance dezenas de milhões de brasileiros em todo o país. Para se ter uma dimensão do impacto, a primeira edição do Desenrola Brasil, lançada em 2023, beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas e movimentou mais de R$ 53 bilhões em renegociações.