O casal Giovane e Simone enfrenta desafios diários no cultivo de tomates orgânicos e mantém a produção há 10 anos na propriedade no bairro Linha Mesquita
Lysiê Santos/Folha Regional “Terminamos o galpão no sábado e no domingo veio o vendaval e arrancou tudo. Os ferros que sustentavam as estruturas viraram sucata. Não sobrou um tomateiro em pé. Pensamos em desistir”, conta o agricultor Giovane Correa Machado, de 39 anos.
A cena de destruição durante o temporal e vendaval ocorridos em 2016 ainda é viva em sua memória e o faz lembrar o grande desafio de todos os produtores: o clima.
Problemas climáticos afetam a agricultura o tempo todo, e saber quando e como plantar para colher exige técnica e muita persistência. Giovane e sua mulher, Simone de Souza Machado, de 35 anos, estão atentos a estes fatores e há 10 anos encaram os desafios diários da vida no campo.
Eles deixaram os empregos para serem donos do próprio negócio. Nos hectares íngremes localizados na Linha Mesquita, em Tubarão, iniciaram a produção da segunda hortaliça mais consumida no mundo: o tomate. Porém, o desafio é maior, já que são tomates orgânicos.
A ideia surgiu após Simone ser convidada para trabalhar em um galpão próximo a sua casa. “Eu fazia faxina e uma vizinha me pediu para ajudar no galpão onde cultivavam tomates. E percebemos que também poderíamos investir nesse setor”, conta.
O casal investiu as economias na construção de dois galpões para iniciar o cultivo. Após um período de colheita e boas perspectivas de crescimento encararam, literalmente, os primeiros ventos contrários. Em 2016 sofreram grandes prejuízos ao perder toda a plantação e a estrutura construída com suas economias, após o vendaval. Mas persistiram e recomeçaram.
Giovane, Simone e o filho adolescente uniram forças e construíram novos galpões com madeira. Hoje são quatro galpões com cerca de 2,5 mil pés de tomates do tipo italiano e cereja plantados. Já chegaram a colher 15 toneladas da fruta, e para a safra deste ano, as expectativas são positivas. “O clima é complicado. Além dos ventos, o tomate não gosta do frio. No inverno rigoroso também temos grandes desafios para manter a lavoura. É uma fruta sensível. Neste ano o tempo está colaborando”, afirma Giovane.
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Mercado atrativo
Eles criaram a própria marca, a SMG Orgânicos, e hoje toda a produção é comercializada na região e em outras cidades do Estado, como Santo Amaro da Imperatriz e Lages. Parte desses tomates também vai para a agroindústria.
Na propriedade também fazem a diversificação, com a plantação de feijão, batata e uva. Apesar dos obstáculos, o casal diz que o mercado dos orgânicos está mais atrativo e que vale a pena permanecer no campo. Eles acompanham o mercado e se atualizam sobre as novas técnicas para aplicar na propriedade e melhorar a produção.
“O mundo gira em torno da agricultura. Se ninguém plantar não tem comida na mesa. Os desafios são grandes, mas tem que persistir, ter amor no que faz e estar atentos às oportunidades”, comentam os agricultores.