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COTIDIANO

Kit com seda de fumo e camisinha é entregue a usuários de drogas para redução de danos em cidade de SC

Prefeitura explicou se tratar de um trabalho amparado em lei, que visa evitar doenças transmissíveis entre esse público

30/07/2023 10h17 | Atualizada em 30/07/2023 10h46 | Por: Redação Folha Regional

Kits com seda para maconha, preservativo e lubrificante íntimo foram distribuídos para usuários de drogas em Itajaí. A ação, que repercutiu na web, foi pautada nos manuais do Ministério da Saúde sobre redução de danos, segundo a prefeitura.

Daniela Ribeiro Schneider, professora do departamento de psicologia da UFSC, explicou que o programa oferece "uma série de alternativas para diminuir o padrão de uso danoso e trazer cuidados em saúde".

Segundo ela, a interrupção abrupta costuma ser um dos maiores desafios àqueles que já são usuários, e a seda é uma escolha que minimiza danos.

A ação onde os cerca de 30 kits foram distribuídos ocorreu durante evento do Centro de Atenção Psicossocial, neste mês de julho.

Foco da ação municipal

O secretário de Saúde de Itajaí, Emerson Duarte, diz que a estratégia foi voltada a pessoas que não conseguem deixar o vício em drogas lícitas ou ilícitas. A atenção aos usuários também inclui rodas de conversas e laborterapia, entre outras atividades.

Diretor de Atenção à Saúde de Itajaí, Gustavo Pereira destaca que, entre os materiais, também havia um folder com orientações para o uso menos nocivo das drogas.

Os itens, segundo ele, tem papel de prevenir doenças ou evitar eventuais consequências do consumo exagerado de entorpecentes, como overdose. A seda, por exemplo, evitaria o uso de outros tipos de papel, como jornal, em cigarros caseiros.

"Esse trabalho na verdade começou lá por 1989, no Porto de Santos, quando teve um grande número de casos de HIV e Aids. Aí começou com orientações, disponibilização de utensílios, para não haver compartilhamento de seringas, por exemplo, e vem ganhando corpo ano a ano", contextualiza.

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Estratégias

A Estratégia de Redução de Danos integra a Lei Nacional da Politica Antidrogas, de 2006, e vem sendo aprimorada desde então.

Segundo a professora do departamento de psicologia da UFSC, embora a política não seja necessariamente contra a abstinência, as ações de Redução de Danos consideram a realidade de cada pessoa e, por isso, são inclusivas.

Em muitos casos, segundo a especialista, a interrupção abrupta é um dos maiores desafios para quem tem problemas com vício em substâncias.

"Há pessoas que querem parar, que têm desejo de fazer interrupção do uso, há outras pessoas que querem cuidar da sua saúde sem necessariamente interromper. Então, ela é uma uma política que respeita o usuário, e não impõe, a priori, esse tipo de questão [de abstinência]", comenta.

"A gente não pode trabalhar em uma perspectiva de falsa moral, querendo dizer para alguém que usa vários tipos de drogas que 'vamos ficar sem nenhum tipo de uso', porque não é o que acontece. Agora, obviamente, se a pessoa está em um processo de cuidado, em que interromper o uso é necessário, com certeza a equipe do CAPS, ou de qualquer serviço de saúde, vai mediar a sua interrupção", complementa.

As informações são do site G1SC

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