Com decisão desta quinta-feira, Antônio Ceron (PSD) se torna o primeiro prefeito preso na operação Mensageiro a retornar ao cargo
O prefeito de Lages, Antônio Ceron (PSD), e o ex-secretário de Meio Ambiente, Eroni Delfes Rodrigues, foram soltos nesta quinta-feira, dia 20. Eles foram presos na Operação Mensageiro, suspeitos de participar de um esquema de fraude em licitações.
A decisão foi da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que revogou a prisão domiciliar do prefeito de Lages, Antônio Ceron (PSD) – um dos prefeitos detidos pela Operação Mensageiro em Santa Catarina. A decisão foi unânime.
Os desembargadores também revogaram o afastamento de Ceron das funções públicas, o que autoriza o prefeito a retomar o cargo. Por enquanto, a prefeitura informou que recebeu a informação apenas de forma extraoficial.
Preso preventivamente em fevereiro, na segunda fase da Operação Mensageiro, Ceron foi liberado duas semanas depois para cumprir prisão domiciliar, por questões de saúde.
Ainda em fevereiro, os vereadores de Lages rejeitaram a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito.
Em maio, Ceron se tornou réu na Operação Mensageiro por decisão da Justiça. Nesta semana, ele passou por audiência em Lages.
A Câmara de Vereadores de Lages informa que estava aguardando o julgamento, porque há um pedido de impeachment que seria apreciado após o recesso. A Câmara volta aos trabalhos em 1° de agosto. Já a prefeitura de Lages afirma que irá cumprir a determinação.
Audiências em Lages
Nesta semana, foram realizadas audiências na comarca de Lages, onde foram ouvidas testemunhas de defesa e os réus. Os agentes públicos acusados de receber propinas prestaram depoimento, assim como o dono e funcionários da Serrana Engenharia, atual Versa, que detalharam como funcionou o esquema por meio de delação premiada.
Segundo o proprietário da Serrana, os valores de propina repassados aos agentes públicos chegaram a cerca de R$ 1,9 milhão.
Durante a audiência, o ex-secretário Serviços Públicos de Meio Ambiente de Lages, Eroni Delfes Rodrigues, confirmou que recebeu R$ 70 mil da antiga Serrana, mas negou que o valor era propina, e sim uma “ajuda” para financiar campanha política.
“Em parte as denúncias são verdadeiras”, disse o ex-agente público, que foi solto nesta quinta.
O ex-secretário de Administração e Fazenda do município, Antônio Cesar Alves de Arruda, já estava em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica, sob a condição de não se encontrar com outros membros do processo.