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COTIDIANO

Sobrenome tradicional de SC é tratado como saudação nazista pela mídia nacional e repercute na Alesc

Colunista confundiu sobrenome, pintado no telhado de casas de Urubici, com a saudação nazista; deputados criticaram a matéria e acionaram o MPSC para apurar a responsabilidade do jornal

24/05/2023 10h54 | Por: Redação Folha Regional

A confusão em reportagem da Folha de São Paulo com o sobrenome Heil e a conhecida e repelida saudação nazista repercutiu na sessão desta terça-feira, dia 23, da Assembleia Legislativa (Alesc).

Sargento Lima (PL) criticou matéria publicada pela Folha que interpretou a palavra “Heil” escrita com telhas brancas em telhados de casas do município de Urubici como uma exaltação ao nazismo, quando na verdade é apenas o sobrenome de uma família que tem casas de temporada e usa a palavra “Heil” como propaganda.

“A senhora estava no Estado mais seguro do país, por isso a senhora escolheu visitar o nosso Estado, fazendo um desfavor ao povo ordeiro e pacífico de Santa Catarina”, declarou Lima, acrescentando que membros da Bancada do Partido Liberal acionaram o Ministério Público (MPSC) para apurar a responsabilidade do jornal e da articulista que assinou a matéria.

Gerri Consoli (PSD) e Maurício Peixer (PL) apoiaram Lima. “Em palestra que fiz fora do Estado fui indagado da cultura do nazismo em Santa Catarina”, registrou Consoli, que negou enfaticamente a existência dessa cultura, apesar de em seguida lembrar do caso de uma piscina com o desenho da suástica no fundo e que foi alvo de ação do MPSC.

“Foi em Urubici, uma cidade ordeira, turística, uma cidade maravilhosa, e daí vem uma pessoa desqualificada, utilizando um diário nacional para falar tamanha besteira. Veio com olhos de urubu e cometeu essa injúria direta contra os catarinenses e contra a família Heil. Ela que não venha mais para cá, nós ficaremos muito felizes com essa atitude dela”, registrou Peixer.

No texto intitulado “Fui surpreendida por uma saudação nazista”, a escritora narra a viagem feita com o filho para a cidade da Serra. Ela conta que caminhando pela estrada “repleta de araucárias” se deparou com o telhado tomada pela palavra “Heil”.

“Meus enteados […] perguntaram se aquilo era de fato uma alusão ao nazismo. Expliquei que possivelmente, já que Heil, Hitler (Salve, Hitler) era uma conhecida saudação nazista”, escreveu a colunista. O que nos fez pensar na conivência da comunidade à nossa volta. E na das autoridades. Por que a polícia não faz nada?”, segue o texto publicado na Folha.

A reportagem foi publicada às 6h do dia 12 de maio. Às 19h26 do mesmo dia, a Folha publicou uma correção. “É incorreto afirmar que a inscrição Heil no telhado dos imóveis “muito provavelmente” seja uma referência a uma saudação nazista, como publicado em versão anterior deste texto”, escreveu a empresa.

O título da reportagem foi corrigido, com a inclusão de um “possível”: “Fui surpreendida por uma possível saudação nazista”.

Em entrevista ao portal ND Mais, Valmor Heil, proprietário das casas e motorista aposentado, diz que se surpreendeu com a notícia de que o sobrenome da família teria sido confundido com um símbolo nazista.“Quando a Sandra me ligou eu disse: ‘não é possível uma coisa dessas’. São anos que eu tenho isso em cima dos telhados, e nunca aconteceu nada, e de repente acontecer isso. Fiquei muito triste, eu digo: ‘meu Deus, o que que vai acontecer comigo agora?’. Estranho né, muito estranho”, comenta Valmor.

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