Medida foi autorizada pela Vara Regional de Falências do Sul do Estado; diretoria da Carbonífera Catarinense afirma que operação segue normalmente
Foto: Alesc A Carbonífera Catarinense, uma das principais potências do setor de extração de carvão mineral no Sul do estado, deu início a um processo de recuperação judicial após acumular um passivo financeiro que soma R$ 102,46 milhões.
A medida legal foi formalmente autorizada pelo juiz Uziel Nunes de Oliveira, da Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais da Comarca da Capital, em decisão publicada na terça-feira (2).
Com 26 anos de história e forte impacto na economia regional, a companhia emitiu uma nota oficial na quarta-feira (4) detalhando que o mecanismo jurídico foi acionado para permitir uma reorganização sustentável de suas contas, garantindo a continuidade de suas operações e a manutenção dos milhares de empregos que dependem de sua atividade.
De acordo com o posicionamento oficial da diretoria da empresa, o desequilíbrio econômico enfrentado nos últimos meses decorre diretamente de adversidades geológicas enfrentadas em uma de suas unidades de produção.
Essa condição severa do solo prejudicou significativamente o ritmo de extração e a produtividade da empresa, afetando o faturamento e gerando o acúmulo das dívidas. Do montante total de R$ 102,46 milhões detalhado no processo, a maior parcela corresponde a compromissos firmados com fornecedores, prestadores de serviço e parceiros comerciais, alcançando a marca de R$ 94,35 milhões. O restante do passivo é composto por obrigações de natureza trabalhista, estimadas em aproximadamente R$ 8 milhões.
Com o deferimento do pedido pelo Poder Judiciário, os credores da carbonífera agora dispõem de um prazo de 15 dias para formalizar suas habilitações de crédito ou manifestar eventuais divergências em relação aos valores declarados pela devedora.
Por outro lado, a legislação concede à Carbonífera Catarinense um prazo estrito de 60 dias para elaborar e apresentar em juízo o seu plano detalhado de recuperação judicial, contendo as propostas e formas de pagamento para os seus credores.
A empresa ressaltou que, apesar do trâmite jurídico, as atividades de extração seguem ocorrendo normalmente e que o planejamento operacional e as condições de produção já estão em pleno processo de retomada gradual.
Fundada em 1999 e com sede localizada no município de Lauro Müller, a Carbonífera Catarinense desempenha um papel socioeconômico vital para toda a região Sul de Santa Catarina. A empresa conta atualmente com um quadro de cerca de 650 colaboradores contratados de forma direta, além de movimentar e sustentar mais de cinco mil empregos gerados de maneira indireta na cadeia produtiva do carvão mineral.
A direção da companhia reafirmou seu compromisso de longo prazo com os colaboradores, clientes e fornecedores, garantindo que todo o processo de reestruturação financeira será conduzido com transparência e responsabilidade para assegurar a sobrevivência e o fortalecimento futuro da gigante mineral.