O agronegócio foi um dos setores mais afetados. Dionísio Bressan, presidente da Copagro, diz que o prejuízo vai superar os R$ 30 milhões. Plantações inteiras foram perdidas na região
As chuvas que atingiram a região nos últimos dias deixaram rastros de destruição. Em Tubarão, uma série de alagamentos afetou famílias e principalmente o setor rural.
As culturas anuais como arroz, milho, feijão, soja e hortifrutigranjeiros são as mais prejudicadas. Campos inteiros plantados foram por água abaixo - literalmente.
De acordo com o médico veterinário Dionísio Bressan Lemos, presidente da Cooperativa Agropecuária de Tubarão (Copagro), mesmo o arroz, que é considerado mais resistente à água, não suportou o acúmulo das chuvas e terá perdas significativas. “O milho também é bem sensível e terá mortalidade de plantas ou redução de produtividade”, avalia.
De acordo com Dionísio, “ainda é cedo para mensurar as perdas, porém, ultrapassarão os R$ 30 milhões entre culturas anuais, perenes, pastagens e infraestrutura rural. Somente quando as águas baixarem é que será possível comprovar”. Nos próximos dias, os produtores da região farão o levantamento oficial dos prejuízos.
Além da agricultura, a pecuária também foi impactada com novos alagamentos na região da Madre, mais precisamente no campo da Eira, em Tubarão, onde centenas de gados de corte ficam nos pastos. Os produtores tiveram que tirar os animais às pressas para não sofrer grandes perdas como as registradas no mês de maio com as cheias em Tubarão e região.
Canais extravasores
A Secretaria de Agricultura e Interior de Tubarão abriu nesta terça-feira, dia 6, dois canais extravasores na Rodovia Ageu Medeiros para escoar o alagamento na região dos campos da Eira para o Rio Tubarão. A ação causou a interdição da rodovia para o tráfego de veículos.
Os dois canais foram abertos nos mesmos trechos da ação realizada na enchente do mês de maio.
Esse procedimento só foi possível ser realizado porque o nível do Rio Tubarão, na região da Madre, baixou o suficiente para que o escoamento ocorra com segurança.
Não há previsão para ser finalizado, nem para o fechamento dos dois canais provisórios e da consequente reabertura da estrada.
Obras estruturantes e macrodrenagem devem ser avaliadas
O presidente da Copagro, Dionísio Bressan Lemos, possui vasto conhecimento no setor do agronegócio e infraestrutura. Ele avalia a situação de Tubarão após passar por três cheias significativas neste ano (maio, agosto e dezembro). “Contra catástrofes/fenômenos climáticos não é fácil lidar, porém, obras estruturantes podem ser implantadas e os efeitos diminuídos”, afirma ele.
Para amenizar a situação das cheias, o presidente da Copagro destaca que por falta de desassoreamento o Rio Tubarão está com sua capacidade de vazão diminuída em cerca de 35%. “Caso estivesse desassoreado e sua vazão restabelecida na plenitude, os impactos de cheias seriam proporcionalmente menores, ou seja, grande parte dos problemas seriam resolvidos. Estimo que 85% dos problemas deixariam de existir.”
Ele reforça que, além da redragagem/desassoreamento do Rio Tubarão, outras obras estruturantes precisam ser estudadas e implantadas, como diques de proteção de cheias, sistema de macrodrenagem pluvial, sistemas de comportas em vários pontos do município (não só no Rio Tubarão), estações elevatórias, entre outras.
Dionísio ressalta que o Rio Capivari é um contribuinte importante do Rio Tubarão. “Ele ali está e ali vai permanecer, com seus benefícios e ameaças. Tudo que for dito e feito no Tubarão precisa levar em consideração a contribuição do Capivari”, alerta o presidente da Copagro.

Rodovia Ivane Fretta segue interditada e sem prazo para liberação
A Rodovia Ivane Fretta Moreira, em Tubarão, foi uma das vias mais prejudicadas no município e chegou a ganhar repercussão nacional. O acúmulo de chuvas provocou a elevação do nível de água na pista, bloqueando totalmente o tráfego no trecho da rodovia que liga Tubarão aos municípios de Gravatal e Braço do Norte desde sexta-feira, dia 2. O alagamento foi provocado após o rompimento de um dique de contenção na vizinha plantação de arroz.
De acordo com o secretário adjunto da Secretaria da Infraestrutura e Mobilidade do Estado, Alexandre Martins, houve o tombamento de postes na Ivane Fretta. Um laudo da Celesc será solicitado para avaliar a segurança da rede de iluminação pública.
“Primeiro precisamos aguardar as águas baixarem e pedir um laudo da Celesc quanto ao posteamento que tombou para verificar a segurança da rede subterrânea. Depois disso vamos dar um parecer sobre a abertura da Ivane Fretta”, explica o secretário adjunto.
O presidente da Copagro, Dionísio Bressan Lemos, lembra que a Rodovia Ivane Fretta Moreira é uma obra importante e necessária, porém, concebida em uma área de inundação.
“Ou constrói-se outra com cota que evite a enchente em bairros importantes de Tubarão, ou corrige-se a Ivane. Ou convive-se com o problema para sempre. Vivemos em uma região onde o risco de catástrofes climáticas (vendavais, furacões, granizos e enchentes) sempre serão uma ameaça e terão recorrência imprevisível. É preciso aprender com as ocorrências, estudar formas de reduzir seus impactos, mitigar efeitos e jamais subestimar a força da natureza”, defende.