Ele anunciou que deixará o comando da delegacia-geral após pouco mais de três anos
Divulgação/Folha Regional O delegado-geral da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina (PCSC), Ulisses Gabriel, vai deixar o cargo para se dedicar às eleições deste ano. Ulisses é pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL).
Ele anunciou que deixará o comando da delegacia-geral após pouco mais de três anos, tendo assumido o cargo em 10 de janeiro de 2023.
Natural do município de Turvo, ele tomou posse na Polícia Civil de Santa Catarina em 2007 e, desde então, atuou em diversas unidades. “Mais uma nova missão! Depois de 22 anos como servidor de carreira, 19 anos como delegado e 3 anos e 2 meses como delegado-geral, escolhido pelo Governador Jorginho, vou me dedicar a uma nova empreitada, agora como pré-candidato a Deputado Estadual pelo PL, devendo me desincompatibilizar no prazo dado pela Lei Eleitoral, pelo menos seis meses antes do pleito. Foram 3 anos e 2 meses intensos: cerca de 4 milhões de ocorrência, milhares de investigações, 19500 mandados de prisão (de 2019 a fev. de 2022 foram 9610) e quase 26589 mandados de busca de 2019 a fev. de 2022 foram 14494) e apreensão e 4,5 bilhões bloqueados do crime organizado. Se comparar com o governo em número de mandados cumpridos foi o dobro de produtividade”, afirmou o delegado em nota oficial.
Polêmicas no caso Orelha
No início deste mês, Ulisses Gabriel passou a ser alvo de um procedimento preparatório instaurado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A apuração, conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial, tem como finalidade avaliar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito civil, que pode resultar em medidas judiciais contra o delegado.
Segundo o Ministério Público, a iniciativa foi motivada pelo recebimento de diversas representações questionando a conduta do chefe da Polícia Civil no curso das investigações.
De acordo com o MP, a apuração busca esclarecer se houve abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
O foco está na possibilidade de o delegado ter revelado informações que deveriam permanecer sob sigilo, o que, em tese, poderia ter gerado beneficiamento por informação privilegiada ou colocado em risco a segurança da sociedade e do Estado.
O caso Orelha
O caso Orelha ganhou grande repercussão após o cão comunitário ser brutalmente agredido por um grupo de adolescentes. O animal foi resgatado por moradores no dia seguinte à violência, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.
A Polícia Civil concluiu a investigação no dia 3 de fevereiro. No desfecho, foi solicitada a internação de um dos adolescentes, enquanto três adultos foram indiciados por coação no curso do processo, suspeitos de tentar interferir nos depoimentos. Ao todo, quatro adolescentes foram formalmente representados.