Segundo presidente, gestão americana ocorrerá até que haja uma "transição adequada"
Divulgação/Folha Regional O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos irão governar a Venezuela imediatamente após a captura do ditador Nicolás Maduro, neste sábado (3).
"Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata", disse ele durante uma coletiva de imprensa em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida. "Não queremos que outra pessoa assuma o poder e que a situação se repita há muitos anos. Portanto, vamos governar o país." Trump não especificou quanto tempo prevê que essa transição de poder levará.
Mais cedo, em entrevista à rede de TV Fox News, o presidente norte-americano havia dito que ainda estava decidindo sobre o futuro da Venezuela quando questionado se a líder oposicionista María Corina Machado seria colocada no poder.
No pronunciamento, ele disse apenas que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está "em conversas" com Machado, que pediu que a oposição tomasse o poder de forma imediata. Mas afirmou que a oposicionista, vencedora do Nobel da Paz de 2025, "não tem apoio interno nem respeito".
"É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela", declarou Trump, que disse que Rubio também vem dialogando com a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, que "está disposta a fazer o que for preciso".
Ele invocou ainda em sua fala a Doutrina Monroe, a política que os EUA estabeleceram em 1823 para ampliar influência na América Latina e reivindicar a soberania de Washington sobre o Ocidente. E disse que "o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado".
"Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado. Não vai acontecer. (...) Sob a administração Trump, estamos reafirmando o poder americano de uma forma muito poderosa em nossa região", declarou.
'Vamos fazer o petróleo fluir'
No pronunciamento, Trump também anunciou que petroleiras norte-americanas começarão a atuar na indústria petrolífera da Venezuela, que o presidente dos EUA alegou ter sido "roubada" dos EUA pelo governo venezuelano. "Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", disse.
"Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós (...). Uma enorme infraestrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças".
Questionado sobre se o Congresso norte-americano havia sido previamente informado sobre a operação — como prevê a Constituição dos EUA —, ele disse que o secretário de Estado informou membros do Congresso após a ação porque, caso contrário, "eles a vazariam. Sempre há vazamentos no Congresso".
Sobre o destino de Nicolás Maduro, ele disse que o presidente venezuelano "será levado a Nova York em um futuro breve", mas não detalhou quando. Trump afirmou ainda que a Justiça decidirá onde Maduro ficará preso enquanto aguarda julgamento nos EUA.