Domingos Silveira González e Aníbal Torres Costa marcaram época no esporte tubaronense e cedem seus nomes as casas de Tubarão e Hercílio Luz
Fotos: Divulgação A cidade de Tubarão, que celebra 156 anos de emancipação nesta quarta-feira (27), é reconhecida por suas múltiplas facetas, que vão desde a variedade do comércio à força do agro. No esporte, não é diferente: a tradição e as cores aqui presentes marcam gerações e carregam passagens e momentos interessantes.
Algumas dessas histórias foram eternizadas nos nomes dos estádios onde hoje jogam Atlético Tubarão e Hercílio Luz. Mas, então, quem foram Domingos Silveira González e Aníbal Torres Costa?
Localizado na Rua dos Ferroviários, no tradicional bairro Oficinas, o estádio que hoje serve de casa para o Clube Atlético Tubarão carrega o nome de um homem cuja trajetória se confunde com a história da própria ferrovia na região. Domingos Silveira González foi funcionário da Ferrovia Tereza Cristina e um assíduo frequentador dos treinos do Esporte Clube Ferroviário, demonstrando tamanho interesse e dedicação que acabou convidado a assumir a presidência do clube na década de 1950.
Sob o comando de González, o rubro-negro de Oficinas viveu anos dourados. Foi ele quem montou a equipe que se sagrou vice-campeã estadual em 1954. Durante sua gestão, o ‘Ferrinho’ também colecionou títulos da Liga Tubaronense de Futebol e de campeonatos quadrangulares regionais. Mais tarde, em 29 de dezembro de 1970, quando o clube alcançou o ápice ao erguer a taça de campeão estadual, Domingos González ainda dava sua contribuição como diretor de patrimônio.
Anteriormente conhecido como Vila Oficinas, o estádio - inaugurado originalmente em 1952 - teve sua nomenclatura alterada para Estádio Olímpico Domingos Silveira González em janeiro de 1987, na gestão do presidente Tadeu Ávila, poucos meses após o falecimento do icônico dirigente.
Desde 2005, o local abrigou a Associação Cultural Recreativa e Esportiva Cidade Azul e, em 2008, passou a se chamar Clube Atlético Tubarão, mantendo viva a homenagem a González.
Na Avenida Pedro Zapelini, no bairro Santo Antônio de Pádua, ergue-se o Estádio Aníbal Torres Costa, a lendária casa do Hercílio Luz que completou 85 anos de história no dia 2 de fevereiro de 2026.
O nome do palco é uma homenagem ao engenheiro Aníbal Tôrres Costa, homem de grande relevância política que presidiu o Leão do Sul e foi o idealizador do projeto de construção do espaço. A escolha de seu nome para batizar o estádio ocorreu por unanimidade entre os membros da diretoria da época.
Além de sua forte ligação com o esporte, Aníbal Costa possuía um currículo público expressivo: foi diretor-geral da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), presidente da Ferrovia Tereza Cristina e também presidiu a Câmara de Vereadores de Tubarão.
A área de 24 mil m² onde o estádio foi erguido foi adquirida pelo Hercílio Luz em 1938, junto à família Zapelini. Foram três anos de obras até a inauguração oficial em 2 de fevereiro de 1941, em um amistoso contra o Atlético Catarinense que terminou empatado em 1 a 1.
O gramado do Aníbal Torres Costa foi palco de momentos memoráveis do futebol catarinense. Foi ali que o Hercílio Luz pavimentou suas campanhas do inédito título estadual de 1958 e do bicampeonato em 1959. No fim daquela década, o estádio fincou seu nome no pioneirismo: tornou-se a primeira praça esportiva de Santa Catarina a receber uma competição de nível nacional, a Taça Brasil (equivalente ao Campeonato Brasileiro da época), no confronto de 23 de agosto de 1959 contra o Atlético Paranaense.
Anos mais tarde, em 1974, o estádio foi duramente castigado e praticamente destruído pela maior enchente da história de Tubarão. O pouco que restou de sua estrutura serviu de abrigo para as famílias afetadas pela tragédia. A reconstrução culminou em sua reinauguração em 13 de outubro de 1985, com novas arquibancadas e vitória hercilista sobre o Joinville por 2 a 1.
O estádio também abrigou as campanhas marcantes do Tubarão Futebol Clube entre o fim dos anos 90 e início dos anos 2000, incluindo o título da Copa Santa Catarina de 1998 e os jogos de grande público contra o Atlético-MG e Grêmio pela Copa Sul-Minas de 2002.
Do lado hercilista, o Estádio Aníbal Torres Costa pode estar caminhando seus últimos capítulos. A área foi vendida em maio de 2018 por R$12 milhões para a empresa 3-Sm Administração de Bens, de propriedade de Marcos Schlickmann, atual sócio investidor da SAF hercilista.
Embora o Hercílio Luz siga mandando seus jogos no local enquanto almeja seu novo estádio no bairro São Martinho, a expectativa é de que o Aníbal Costa seja demolido dentro de alguns anos para dar lugar a algum empreendimento imobiliário.
Já o Domingos Silveira González, de propriedade da União, segue sendo a casa do Clube Atlético Tubarão, embora o clube aguarde uma resolução definitiva sobre a cessão de uso tanto do estádio principal, quanto dos campos de treinamento anexos ao complexo. O clube tem a expectativa de progredir no assunto nos próximos meses.