Fórum Climático confirma mudança no padrão meteorológico a partir de junho
Foto: Freepik Especialistas da Secretaria da Proteção e Defesa Civil, Epagri/Ciram, AlertaBlu e pesquisadores do IFSC e UFSC confirmaram, durante o 240º Fórum Climático Catarinense, que o El Niño ditará as regras do clima em Santa Catarina na segunda metade de 2026.
Embora o início do segundo semestre ainda carregue características de tempo mais seco - com abril e maio apresentando chuvas entre a média e abaixo do normal - , o cenário muda drasticamente a partir de junho. Com a atuação consolidada do fenômeno, o volume de chuva deve subir de forma acentuada, elevando o risco de alagamentos e cheias, especialmente durante a primavera, quando os sistemas meteorológicos ganham mais força no Sul do Brasil.
Em relação às temperaturas, a tendência é que o inverno de 2026 não seja marcado por um frio rigoroso e constante. Embora as mínimas sofram uma queda gradual nos próximos meses, os valores devem permanecer acima da média histórica para o período.
Os episódios de frio mais intenso são esperados para a segunda quinzena de maio, porém eles devem ocorrer de forma menos persistente, com entradas de ar frio curtas e rapidamente intercaladas por períodos de aquecimento.
Esse comportamento é típico de anos de El Niño, onde o inverno é frequentemente interrompido por dias mais quentes e incursões polares menos duradouras.
Cientificamente, o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na região equatorial, atingindo pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses seguidos. Essa alteração na temperatura oceânica interfere diretamente na atmosfera global, mudando a circulação dos ventos e a distribuição de umidade.
Curiosamente, o nome foi batizado por pescadores do Peru e Equador que notavam a escassez de peixes e o aquecimento das águas próximo ao Natal, chamando o evento de "O Menino" (El Niño), em referência ao Menino Jesus. Esse aquecimento atmosférico integrado é o que gera os padrões de tempo que agora começamos a monitorar em Santa Catarina.
Os efeitos do fenômeno na região Sul do estado devem ser sentidos com mais vigor entre os meses de setembro e novembro.
Durante esse período, o aumento do calor e o transporte de umidade da região amazônica podem antecipar a formação de tempestades severas, muitas vezes acompanhadas de granizo e rajadas de vento, antes mesmo do calendário oficial de verão.
Os meteorologistas ressaltam que o El Niño aumenta consideravelmente a probabilidade de eventos extremos, tornando a primavera o período mais crítico para ocorrências de enxurradas e elevação dos níveis dos rios, exigindo que as defesas civis locais mantenham planos de contingência prontos para execução imediata.