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SEGURANÇA

Operação do Gaeco investiga fraude em atestados para beneficiar detentos em SC

Investigação indica que uma advogada atuava em conluio com o médico, para que fossem emitidos atestados médicos ideologicamente falsos

05/05/2026 09h41 | Atualizada em 05/05/2026 21h56 | Por: Redação l Folha Regional
Foto: MP

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) deflagrada nesta terça-feira (5), denominada Efeito Colateral, visa desarticular um esquema fraudulento estruturado no fornecimento de atestados médicos, ideologicamente falsos, com o fim de instruir posteriores pedidos de concessão de prisão domiciliar em benefício de detentos.

Veja também: Tiro contra policial durante operação do Gaeco foi disparado por médico acusado de dar atestados falsos

São cumpridos quatro mandados de prisão e 35 de busca e apreensão em Camboriú, Itajaí, Balneário Camboriú, Barra Velha, Gaspar, Navegantes, Joinville, Itapema e Porto Belo, em Santa Catarina e Pinhais e Pontal do Paraná, no Paraná.

Um dos alvos reagiu à abordagem com diversos disparos de arma de fogo. Um policial militar que prestava apoio à operação foi atingido durante a abordagem. Ele recebeu atendimento imediato da equipe do Corpo de Bombeiros presente na ação e está estável após encaminhamento para o hospital. 

A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, indica que uma advogada atuava em conluio com o médico, para que fossem emitidos atestados médicos ideologicamente falsos, simulando comorbidades graves e inexistentes para fundamentar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar. Também são alvos da operação detentos que receberam os benefícios de prisão domiciliar e estão atualmente foragidos. 

As análises de evidências pelo Gaeco identificaram diversos arquivos contendo imagens de atestados médicos, exames e receituários, além de tratativas entre os investigados, cujo teor indica ajustes para a elaboração de diagnósticos médicos que acabariam sendo utilizados em processos judiciais para afastamento de apenados do sistema penitenciário. 

As apurações identificaram que os apenados beneficiados pelo esquema investigado na sua maioria são lideranças criminosas que, uma vez em prisão domiciliar, frequentemente rompem a tornozeleira eletrônica e tornam-se foragidos, o que evidencia a potencial gravidade das condutas investigadas. 

Diante dos indícios reunidos, o Poder Judiciário, por intermédio da Vara Estadual de Organizações Criminosas, deferiu os mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais vinculados aos investigados, com a finalidade de recolher documentos, equipamentos eletrônicos, mídias e outros elementos probatórios, relevantes para o esclarecimento da materialidade dos fatos, da autoria e da eventual participação de terceiros. 

Os dispositivos eletrônicos apreendidos serão encaminhados para Polícia Científica que realizará uma perícia especializada para análise técnica e extração de dados que serão analisadas pelo Gaeco para dar prosseguimento as investigações, delimitação de condutas e identificação de eventuais envolvidos.

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