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COLUNISTAS

Poupança: o risco de ficar parado

04/11/2025 22h52 | Atualizada em 04/11/2025 22h52 | Por: Guilherme Crema

Com a Selic em 15%, a diferença entre investir e apenas guardar dinheiro nunca foi tão grande.

Na semana passada, falamos sobre como a poupança perdeu atratividade e deixou de ser uma boa opção para quem busca rentabilidade sem abrir mão da segurança. Agora, vamos entender na prática o impacto dessa escolha no bolso do investidor.

Imagine R$ 100 mil aplicados na poupança por um ano, com a Selic atual em 15% ao ano. Pela regra de remuneração, quando a Selic está acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês + TR, que atualmente gira em torno de 0,12%. Na prática, isso equivale a um rendimento mensal próximo de 0,62%, ou cerca de 7,7% ao ano. Ao fim de 12 meses, o saldo seria de aproximadamente R$ 107.700.

Enquanto isso, um investimento conservador como o Tesouro Selic — título público garantido pelo governo federal e com liquidez diária — renderia próximo aos 15% ao ano, elevando o mesmo investimento para cerca de R$ 115.000 no mesmo período. A diferença de R$ 7.300 em apenas um ano representa o custo invisível da comodidade: o investidor da poupança assumiu praticamente o mesmo nível de risco, mas teve 40% menos rentabilidade.

Se ampliarmos o horizonte, o impacto é ainda maior. Mantendo os R$ 100 mil aplicados por cinco anos, a poupança alcançaria algo em torno de R$ 145 mil, enquanto o Tesouro Selic ou um CDB conservador de banco sólido renderia aproximadamente R$ 200 mil — uma diferença de R$ 55 mil, o equivalente a mais de meio ano de trabalho para muitos brasileiros.

Esse é o ponto central: ficar parado também é um risco — o risco de ver o dinheiro perder valor para a inflação, que corrói o poder de compra em cerca de 5% ao ano, ou simplesmente render muito menos do que poderia, mesmo sem aumentar o grau de exposição.

Hoje, o investidor conservador tem várias alternativas seguras e acessíveis. CDBs, fundos de liquidez diária e títulos públicos são opções que entregam rentabilidade superior, liquidez parecida e, em muitos casos, proteção adicional pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Investir não é sobre apostar, e sim sobre entender as escolhas. Com informação e orientação, é possível fazer o dinheiro trabalhar mais — com segurança, liquidez e propósito.

A poupança continua sendo confortável, mas, no atual cenário de juros altos, esse conforto cobra um preço alto. É hora de dar o primeiro passo fora da zona de conforto e perceber que, quando o assunto é patrimônio, não fazer nada também é uma decisão — e, muitas vezes, a mais cara de todas.

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