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COLUNISTAS

O tédio que a gente insiste em evitar

16/06/2026 22h33 | Atualizada em 16/06/2026 22h33 | Por: Luciane Tokarski

Tem uma coisa curiosa acontecendo com a nossa geração: a gente desaprendeu a ficar entediado.

Qualquer fila vira Instagram. Qualquer espera vira WhatsApp. Qualquer minuto livre vira vídeo curto. Parece que existe uma urgência permanente de preencher todos os espaços vazios do dia.

Mas e se eu disser que o tédio não é um problema? E se ele for justamente uma das coisas que mais estamos precisando?

Quando a mente não está ocupada consumindo informação o tempo todo, ela começa a fazer conexões. É naquele banho demorado, naquela caminhada sem fone, naquela viagem olhando pela janela que surgem ideias, soluções e reflexões que não apareceriam no meio de uma avalanche de notificações.

O tédio funciona como uma espécie de academia da criatividade. Ele obriga o cérebro a procurar caminhos próprios em vez de apenas reagir ao que está sendo entregue na tela.

Não é à toa que muitas das melhores ideias surgem nos momentos em que aparentemente não estamos fazendo nada.

O problema é que criamos uma relação quase de medo com o vazio. Se sobra um minuto, corremos para preenchê-lo. Se existe silêncio, ligamos alguma coisa. Se há espera, buscamos distração.

Talvez estejamos tão acostumados ao excesso de estímulos que esquecemos que pensar também exige espaço.
E não estou falando de abandonar a tecnologia ou viver desconectado. Estou falando de recuperar pequenas pausas.

Experiências simples podem ajudar

• Fazer uma caminhada de 15 minutos sem celular.

• Esperar numa fila sem pegar o telefone.

• Tomar banho sem música, podcast ou vídeo.

• Reservar alguns minutos do dia apenas para observar e pensar.

• Deixar um bloco de notas por perto para registrar as ideias que surgirem.

Parece pouco. Mas é justamente nesse pouco que mora algo valioso.

Vivemos uma época que vende produtividade, velocidade e atenção constante. O tédio, por outro lado, não produz resultados imediatos. Ele exige paciência. E talvez por isso seja tão subestimado.

Mas quem sabe a próxima grande ideia, a solução para um problema antigo ou simplesmente uma compreensão mais profunda sobre si mesmo não esteja escondida justamente naquele momento que você está tentando evitar?

Talvez o tédio não seja o vazio que precisamos preencher, e sim o espaço onde as melhores ideias começam.

O inimigo que quase nunca reconhecemos

09/06/2026 22h13 | Atualizada em 09/06/2026 22h13 | Por: Luciane Tokarski

Quando pensamos nos obstáculos que podem comprometer nossos projetos, relacionamentos ou negócios, geralmente nos lembramos da falta de recursos, das dificuldades do mercado, das crises ou das circunstâncias externas.

Raramente pensamos no orgulho. Talvez porque ele seja um dos poucos inimigos que conseguem se esconder atrás de qualidades aparentemente positivas. Muitas vezes se apresenta como autoconfiança. Outras, como firmeza de opinião. Em algumas situações, veste-se de experiência, autoridade ou conhecimento.

O problema é que existe uma linha muito tênue entre confiar em si mesmo e acreditar que não precisamos mais aprender.
Ao longo da vida, percebemos que os maiores erros nem sempre acontecem por falta de capacidade. Frequentemente, eles acontecem quando deixamos de ouvir. Quando acreditamos que já sabemos o suficiente. Quando passamos a enxergar opiniões diferentes como ameaças, e não como oportunidades de crescimento.

O orgulho tem uma característica curiosa: ele reduz nossa capacidade de enxergar a realidade.

Nos relacionamentos, o orgulho dificulta pedidos de desculpas. Muitas vezes, não é a gravidade do problema que afasta as pessoas, mas a incapacidade de dar o primeiro passo para a reconciliação.

Na vida profissional, o orgulho pode impedir ajustes necessários. Empresas, líderes e profissionais de sucesso continuam evoluindo quando permanecem abertos ao aprendizado.

Existe uma sabedoria importante em reconhecer os próprios limites. Não como sinal de fraqueza, mas como demonstração de maturidade.

E quem permanece aprendendo continua construindo.

Lições práticas para o dia a dia

1. Escute até o fim antes de responder.
Nem toda opinião diferente é uma crítica. Muitas vezes, ela é uma oportunidade de enxergar algo que ainda não vimos.

2. Faça perguntas com mais frequência.

3. Aprenda a dizer “eu estava errado”.
Poucas frases fortalecem tanto a credibilidade quanto essa.

4. Procure ouvir quem pensa diferente de você.
O crescimento raramente acontece dentro da zona de concordância.

5. Revise suas decisões importantes.
O sucesso passado não garante acertos futuros. Humildade também é reavaliar caminhos.

6. Mantenha-se aprendiz.
Independentemente da idade, da posição ou da experiência, sempre haverá algo novo para aprender.

A inovação que já está dentro da empresa

02/06/2026 22h51 | Atualizada em 02/06/2026 22h51 | Por: Luciane Tokarski

Em um mercado cada vez mais competitivo, muitas organizações investem tempo e recursos em consultorias, pesquisas e especialistas externos em busca de inovação. Embora essas contribuições sejam valiosas, existe uma fonte de conhecimento frequentemente subestimada: as pessoas que vivem a rotina da empresa todos os dias.

Toda organização possui uma verdadeira reserva de cérebros. São profissionais que conhecem os processos, escutam os clientes, percebem falhas, identificam oportunidades e, muitas vezes, já possuem sugestões capazes de gerar melhorias significativas. O desafio não está na falta de ideias, mas na capacidade da liderança de criar espaço para que elas apareçam.

A neurociência ajuda a explicar esse fenômeno. Quando uma pessoa percebe que sua opinião é ouvida e valorizada, o cérebro ativa mecanismos ligados à motivação, ao pertencimento e à recompensa. Como consequência, aumentam o engajamento, a criatividade e a disposição para contribuir. Em contrapartida, ambientes onde as sugestões são ignoradas tendem a estimular o silêncio. Aos poucos, os profissionais deixam de compartilhar percepções valiosas, não por falta de interesse, mas por acreditarem que não serão considerados.

Por isso, líderes inspiradores fazem mais do que motivar. Eles escutam. Criam canais de diálogo, incentivam a participação e reconhecem iniciativas.

Isso não significa que ideias externas não sejam importantes. Elas trazem novas perspectivas. No entanto, as iniciativas internas possuem uma vantagem especial: quando o colaborador participa da construção da solução, ele também se compromete com sua execução. O sentimento de pertencimento transforma a ideia em resultado.

E quando a liderança ainda não percebeu essa riqueza? Muitas mudanças começaram por iniciativa de colaboradores que decidiram apresentar soluções em vez de apenas apontar problemas. Para isso, alguns passos podem ajudar: observar oportunidades de melhoria, ouvir as dores dos clientes, transformar reclamações em propostas concretas, demonstrar benefícios, começar com pequenas iniciativas e manter a persistência mesmo diante das primeiras negativas.

Antes de procurar todas as respostas do lado de fora, talvez as organizações devam fazer uma pergunta simples para quem está dentro: “O que você faria para melhorar isso?”

Muitas vezes, a resposta já está ali. E a maior vantagem competitiva da empresa não está em uma consultoria, em uma tecnologia ou em um novo processo. Está na inteligência coletiva das pessoas que todos os dias ajudam a construir sua história.

Preço e facilidade

19/05/2026 23h37 | Atualizada em 19/05/2026 23h37 | Por: Luciane Tokarski

Muitas pessoas acreditam que organização financeira começa quando se ganha mais. Mas, na prática, ela começa quando se aprende a comprar melhor.

Hoje, uma das maiores armadilhas do consumo moderno não está no valor do produto, mas na facilidade de parcelar.

As pessoas entram em lojas, sites e aplicativos olhando apenas uma informação: “quanto fica por mês?” E quase nunca fazem a pergunta mais importante: “quanto isso vai me custar no final?”

Parcelamentos longos criam uma falsa sensação de acessibilidade. A parcela parece pequena, leve, quase imperceptível. Mas quando somamos várias decisões feitas dessa forma, o resultado é um orçamento comprometido, ansiedade financeira e dificuldade de construir patrimônio.

Muitas vezes, não é uma grande compra que desequilibra a vida financeira.

São os pequenos excessos constantes: o celular trocado antes da necessidade, as compras feitas por impulso, os itens adquiridos para compensar cansaço emocional, a necessidade de acompanhar um padrão de vida que talvez nem faça sentido para aquela realidade.

E existe um detalhe importante: comprar não é apenas um ato financeiro. Também é emocional. Muita gente compra para sentir pertencimento. Para aliviar frustrações. Mas aquilo que traz satisfação momentânea pode gerar preocupação por muitos meses depois.

Educação financeira não significa viver preso ao “não posso”. Também não significa deixar de aproveitar a vida. Significa aprender a distinguir o que é consumo imediato daquilo que realmente constrói futuro.

E nesse ponto, vale uma reflexão importante: nem toda dívida é igual. Existe diferença entre parcelar algo que perde valor rapidamente e investir em algo que pode gerar valorização, segurança ou renda. Por isso, muitas vezes a lógica não se aplica da mesma forma aos imóveis.

Quando existe planejamento, estratégia e consciência, um imóvel pode representar patrimônio, proteção familiar, crescimento financeiro e até liberdade futura. Ou seja: deixa de ser apenas uma despesa e passa a ser um ativo.

Enquanto algumas compras esvaziam o futuro silenciosamente, investimentos inteligentes ajudam a fortalecê-lo. Também precisamos falar sobre mentalidade.

Talvez uma das perguntas mais inteligentes antes de qualquer compra seja: “Isso está apenas ocupando espaço na minha vida ou está construindo algo para ela?”

A liberdade financeira não nasce de grandes milagres. Ela nasce de pequenas decisões conscientes repetidas ao longo do tempo.

Considere o quanto vale e não apenas o quanto custa

12/05/2026 21h38 | Atualizada em 12/05/2026 21h38 | Por: Luciane Tokarski

Muita coisa é medida por números. Preço, status, seguidores, aparência, resultados imediatos. Mas a vida não é construída apenas pelo custo das coisas, e sim pelo valor que elas carregam - e isso aparece mesmo com o tempo. 

Na compra de um imóvel, por exemplo, muita gente olha principalmente para o preço. Mas quem prioriza valor observa mais detalhes, como segurança, localização, qualidade de vida, memória afetiva e aquilo que aquele lugar representará para uma família. Até porque ela pode se tornar o cenário da infância de um filho, o lugar dos encontros de domingo, das orações, das conquistas e dos recomeços.

E como calcular isso em números?

O mesmo acontece com o tempo. Muitas pessoas passam anos esperando a ocasião perfeita para viajar, descansar ou viver experiências com quem amam. Mas o tempo não espera.

No futuro, talvez ninguém se emocione lembrando do saldo bancário de determinado ano. Mas certamente lembrará da viagem simples em família, da conversa no carro, da risada inesperada, do abraço sincero e das memórias construídas juntos.

Há coisas que o dinheiro compra. E há coisas que apenas a presença constrói.

O problema é que estamos vivendo rápido demais para perceber isso. Trocamos presença por produtividade. Conexão por performance. Profundidade por aparência.

Queremos tudo imediato, esquecendo que as coisas mais valiosas da vida levam tempo para serem construídas.

Uma reputação sólida leva anos. Uma família saudável exige dedicação. Uma empresa consistente nasce da constância. Nada verdadeiramente valioso cresce da noite para o dia.

E talvez por isso tantas pessoas estejam cansadas: porque investiram apenas no que impressiona por fora e esqueceram aquilo que sustenta por dentro.

Existem casas luxuosas sem paz. Mesas fartas sem comunhão. Milhares de seguidores sem relacionamentos verdadeiros.

Por outro lado, existem coisas simples carregadas de valor: uma mãe orando por um filho, um amigo leal, uma conversa sincera, uma palavra de fé no momento certo.

O valor verdadeiro raramente faz barulho. E talvez maturidade seja aprender a enxergar essência e não apenas aparência.

Pensamos algo para nos ajudar a aprender a enxergar valor: 

- Pare de avaliar tudo apenas pelo preço. Pergunte: “Qual impacto isso terá na minha vida daqui alguns anos?”

- Invista em experiências e não apenas em coisas. Memórias alimentam a alma.

- Valorize pessoas coerentes. Caráter e lealdade continuam sendo riquezas raras.

- Entenda que tempo também é patrimônio. Quem dedica tempo ao que ama constrói legado.

- Invista no invisível. Fé, equilíbrio emocional, sabedoria e paz sustentam qualquer conquista.

Luciane Tokarski

Investimento e desenvolvimento

Com atuação na área de investimentos há quase 20 anos, compartilha dicas e informações essenciais, com insights valiosos, para o desenvolvimento pessoal e profissional, com foco em rentabilidade sustentável

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