Vivemos tempos em que a visibilidade parece valer mais do que a contribuição, em que o palco importa mais do que os bastidores. Talvez por isso tenhamos tanta dificuldade em exercer duas virtudes simples e raras: humildade e honestidade no papel que ocupamos.
A verdade é que todos nós fazemos parte de uma grande engrenagem. Nenhuma função é isolada. Nenhum trabalho é inútil. Cada entrega, por menor que pareça, sustenta o todo. Quando isso é esquecido, surgem disputas desnecessárias, vaidades infladas e um perigoso hábito de desmerecer o esforço alheio.
A própria Bíblia nos lembra desse princípio com clareza: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem deu o crescimento.”
Plantar, regar e colher são etapas diferentes e essenciais. Nem todos colherão aquilo que plantaram. Nem sempre quem aparece é quem começou. E isso não é injustiça, faz parte do processo.
O que impressiona é perceber como tanto no ambiente corporativo quanto no público ainda exista a necessidade de diminuir o trabalho do outro para validar o próprio. Como se reconhecer a contribuição alheia diminuísse o nosso valor, quando, na verdade, acontece exatamente o contrário.
Há um princípio que vai além da metáfora: o princípio do plantar e colher. Semear bem nunca é em vão. Ainda que não colhamos naquela terra específica, colheremos em outros campos e muitas vezes onde menos esperamos.
E quando somos nós a vermos nosso trabalho ser desmerecido? Quando outros “pais” e “mães” querem assumir os louros daquilo que ajudamos a construir?
A resposta talvez não esteja em confrontar, mas em ter consciência. Consciência de que entregamos o nosso melhor. Consciência de que fizemos a nossa parte com integridade. E, a partir disso, liberar o coração, seguir em frente e continuar semeando o melhor em cada lugar onde estivermos.
O que não pode, e causará dor, é viver apoiado no passado, como colocar antigas injustiças como justificativa para falhas presentes. O passado explica, mas não autoriza. O compromisso com a excelência é sempre no agora.
No fim, o que mais importa é fazermos nosso melhor porque entendemos para quem fazemos.
“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para homens.”
E que bom que é assim. Porque quando não somos reconhecidos pelos homens, descansamos na certeza de que é Ele quem recompensa.
Humildade não é se diminuir.
Honestidade não é ingenuidade.
É maturidade para compreender que o valor do nosso trabalho não depende de aplausos, e sim de propósito.
E quem semeia com verdade, sempre colhe. Mesmo que seja em outro tempo. Mesmo que seja em outro campo.

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