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Honestidade e humildade em cada papel

Por Luciane Tokarski

Vivemos tempos em que a visibilidade parece valer mais do que a contribuição, em que o palco importa mais do que os bastidores. Talvez por isso tenhamos tanta dificuldade em exercer duas virtudes simples e raras: humildade e honestidade no papel que ocupamos.

A verdade é que todos nós fazemos parte de uma grande engrenagem. Nenhuma função é isolada. Nenhum trabalho é inútil. Cada entrega, por menor que pareça, sustenta o todo. Quando isso é esquecido, surgem disputas desnecessárias, vaidades infladas e um perigoso hábito de desmerecer o esforço alheio. 

A própria Bíblia nos lembra desse princípio com clareza: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem deu o crescimento.”

Plantar, regar e colher são etapas diferentes e essenciais. Nem todos colherão aquilo que plantaram. Nem sempre quem aparece é quem começou. E isso não é injustiça, faz parte do processo. 

O que impressiona é perceber como tanto no ambiente corporativo quanto no público ainda exista a necessidade de diminuir o trabalho do outro para validar o próprio. Como se reconhecer a contribuição alheia diminuísse o nosso valor, quando, na verdade, acontece exatamente o contrário.

Há um princípio que vai além da metáfora: o princípio do plantar e colher. Semear bem nunca é em vão. Ainda que não colhamos naquela terra específica, colheremos em outros campos e muitas vezes onde menos esperamos.

E quando somos nós a vermos nosso trabalho ser desmerecido? Quando outros “pais” e “mães” querem assumir os louros daquilo que ajudamos a construir?

A resposta talvez não esteja em confrontar, mas em ter consciência. Consciência de que entregamos o nosso melhor. Consciência de que fizemos a nossa parte com integridade. E, a partir disso, liberar o coração, seguir em frente e continuar semeando o melhor em cada lugar onde estivermos.

O que não pode, e causará dor, é viver apoiado no passado, como colocar antigas injustiças como justificativa para falhas presentes. O passado explica, mas não autoriza. O compromisso com a excelência é sempre no agora.

No fim, o que mais importa é  fazermos nosso melhor porque entendemos para quem fazemos.

“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para homens.”

E que bom que é assim. Porque quando não somos reconhecidos pelos homens, descansamos na certeza de que é Ele quem recompensa.

Humildade não é se diminuir.

Honestidade não é ingenuidade.

É maturidade para compreender que o valor do nosso trabalho não depende de aplausos, e sim de propósito.

E quem semeia com verdade, sempre colhe. Mesmo que seja em outro tempo. Mesmo que seja em outro campo.

Luciane Tokarski
Luciane Tokarski

Com atuação na área de investimentos há quase 20 anos, compartilha dicas e informações essenciais, com insights valiosos, para o desenvolvimento pessoal e profissional, com foco em rentabilidade sustentável

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LUCIANE TOKARSKI